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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Para que uma criança floresça



Juan Ángel Moliterni

Ao longo da minha vida tenho aprendido que o dinheiro vem e vai, mas a moral e a ética vem e cresce. Todo educador, desde tempos imemoriais, tem enfatizado que a verdadeira educação deve formar o caráter do estudante. De fato, dizem que a finalidade da educação é o caráter. Tem-se tratado de definir a palavra caráter de muitas formas, por diversos experts, filósofos, educadores, entre outros, mas eu defino o caráter como unidade de pensamento, palavra e ação. Não há dúvida, portanto, de que a finalidade do processo educativo deve ser a integração do ser humano. E são os valores humanos, como o amor, a verdade, a retidão, a paz e a atitude pacífica que simbolizam a integração de pensamento, palavra e ação que se define como caráter e que é, por sua vez, o objetivo da nova educação.
O valor do indivíduo depende de sua cultura, e esta depende da educação. À medida que a humanidade começa a interatuar de forma mais consciente e espiritual, a cultura do ser humano começará a acelerar-se para chegar a uma forma espiritual completa, global e vital. Desde os tempos mais remotos, sempre existiu uma comunidade de seres evoluídos para dar a conhecer aos homens sua verdadeira missão. Então, surgiu a educação que tem como objetivo dar a cada um seu verdadeiro valor, sem pretender canalizar os espíritos.

Aproximar-se de uma criança é como aproximar-se de uma delicada rosa.

Centenas de estudos mostram que a forma com que os pais tratam a seus filhos – seja com uma disciplina dura ou uma compreensão empática, com indiferença ou carinho -, tem conseqüências profundas e duradouras na vida emocional do filho. Os três ou quatro primeiros anos de vida são uma etapa na qual o cérebro da criança evolui em complexidade a um ritmo maior do que jamais alcançará.
Durante este período a aprendizagem emocional é o mais importante do que tudo. O pior que se lhes pode fazer é absorver-lhes a energia corrigindo-os. Por isso, sempre devem ser incluídos nas conversações, em especial nas conversações sobre eles. Cada adulto pode concentrar-se e prestar atenção somente a uma criança por vez. Se há demasiadas crianças para a quantidade de adultos, estes se vêem enfastiados e são incapazes de dar suficiente energia. Os filhos começam a competir entre eles pelo tempo dos adultos. Nem toda energia tem que ser proveniente somente dos pais. De fato, é melhor que não seja assim. Porem, independentemente de quem cuide das crianças, a questão é dedicar-lhes essa atenção um a um.
Para que uma criança cresça e floresça, necessita amor, aceitação e elogios. Às crianças (como os adultos) se podem mostrar maneiras “melhores” de fazer as coisas sem fazer-lhes sentir que a forma com que as está fazendo é “errada”. A criança que leva dentro de si também segue necessitando de amor e aprovação.
Quando se sentem bem é quando fazem tudo melhor. Desenvolvem-se maravilhosamente.
Estas são as palavras que as crianças querem ouvir, porque fazem com que se sintam bem:
-         Amo-te e sei que estás fazendo o melhor que podes.
-         Você é perfeito, tal como é.
-         Cada dia que passa você se torna mais encantador.
-         Estou de acordo com você.
-         Vamos ver se encontramos, juntos uma maneira melhor de fazer isto.
-         Crescer, mudar é divertido e podemos fazê-lo juntos.
Lembre-se que a verdade sempre pode expressar-se no nível de compreensão de uma criança. Somente requer um pouco de reflexão. A educação de crianças começa com a educação dos pais.
Em cada criança há um criador que é preciso despertar e levar a ação. A informação básica que temos que dar como educadores é fazer a criança entender que ela não é seu corpo, mas que o corpo é uma propriedade sua. Temos de fazer-lhe entender a ciência do homem, quer dizer, o que é e o que tem.
Temos amor, temos sabedoria, temos mente, desejos, um Corpo, roupas, propriedades, uma conta no banco, tudo isto é o que temos, mas o que temos é diferente do que somos. O que somos se chama alma, e tudo o que temos como conhecimento, sentidos, mente e corpo, são veículos através dos quais atuamos. Esse entendimento é o que primeiro se deve dar as crianças.
Também devemos dar-lhes o entendimento de que é importante que seu corpo e mente colabore com elas; é o que se chama “educação relativa a formação”. Temos de dizer às crianças que sua mente e seu corpo devem ser capazes de fazer o que elas queiram, e isso é muito fácil quando são crianças, mas é mais difícil quando são um pouco maiores. Analogamente, se trata de uma planta que podemos curvar quando queremos, mas uma vez esta planta tenha se convertido em arvore já não podemos fazer nada.
Se dermos detalhes relativos a mente, os sentidos, o corpo e a necessidade de alinhar-nos, e se lhes dermos alem de tudo uma educação certa de como usar o corpo, como usar os sentidos e como usar a mente, se lhes dermos estas instruções simples, aos vinte e um anos serão pessoas “formadas” (N.T:integradas).
Temos de dar-lhes informação sobre o ser humano e dizer-lhes quais são as conseqüências do comer muito e as vantagens de comer uma comida adequada a horários regulares; também podemos dizer-lhes que quando quiserem algo tem de dizer antes “por que o querem”, e assim se lhes desenvolverá o discernimento. Devem ser capazes de perguntar a si mesmos se precisam disso de verdade. As crianças não são tão pessoais como os adultos e se mantém sempre um pouco impessoais. Podemos fazer que a criança se faça esta pergunta: “eu preciso de verdade?” e se a criança pode se perguntar isso será capaz de obter uma resposta; é um bom exercício para o discernimento.
Também podemos dizer-lhes da importância de falar e ter cuidado de que falem somente quando for necessário, porque estas são as coisas difíceis de conquistar quando maiores. Quando se põem os sentidos a uso nocivo, é o corpo que se coloca ao uso inadequado, o mesmo funciona para o falar e a mente, pois mais tarde é muito difícil colocar-lhes em ordem outra vez, por isso o alinhamento-equilíbrio é um processo difícil depois dos vinte e oito anos. Faremos o bem de verdade às crianças se lhes dermos este tipo de conhecimento entre os sete e vinte e um anos. Neste período se podem desenvolver tudo o que foi dito.
Outra coisa importante que temos que dizer-lhes é que é melhor cooperar que competir. Normalmente, como pais os fazemos competir e por isso suas vidas estão cheias de tensões e sofrimentos, porque há sempre pessoas que estão na frente deles e é uma corrida constante (produto de comparação).
Estão sempre correndo na vida, porem nunca estão satisfeitos se tem que correr atrás das coisas em competição. Há gente que sabe estudar melhor, gente que tem melhor trabalho, outras que ganham mais dinheiro, outros que tem a parceira mais bela ou filhos mais preciosos ou melhores propriedades. Em cada aspecto da vida há pessoas que tem melhores coisas que outro; pode ser que na realidade não tenham mais, porem a nós nos parecerá que tem as coisas melhor que outro, segundo a crença de que “o pasto do vizinho” é sempre mais verde. A competição é um processo de tratar de “ser mais que o outro” e nunca satisfaz.
É uma atividade terrível que encontramos no planeta: correr atrás das propriedades ou do dinheiro, atrás da fama, da fortuna, do poder e do amor egoísta. Tudo isso é um aspecto da competição e uma vez que estejamos dentro, veremos o nosso colaborador como inimigo. A competição sempre traz destruição. Podemos contar e ler para as crianças pequenas histórias que falem da competição, inclusive pode inventá-las e contá-las.
Isso é muito importante para que não se acostumem ao sistema de competição, mas que aprendam o espírito de cooperação. Mediante a cooperação entenderam melhor as coisas da vida. Isso é o que temos que fazer com as crianças para começar. É um triângulo de necessidades: o primeiro a fazer é que compreenda corretamente o funcionamento de sua própria constituição (máquina humana); o segundo é ensinar a importância de falar corretamente e o terceiro é ensinar o espírito de cooperação. Podemos trabalhar com este triangulo inicialmente e se isto se enraíza nas crianças, elas farão o resto quando estiverem maiores.
A escola na nova era de Aquário deve ser totalmente uma comunidade de aprendizagem informal, onde um grupo de pessoas se reúne, informalmente para compartilhar idéias e aprender uns com os outros (os mestres do aluno e os alunos do mestre. E onde os livros sejam interativos; quer dizer, onde às vezes aprendes deles e em outras agregas a eles). Pessoas que desempenham séries similares ou buscam um resultado compartilhado. Podem ser os simpatizantes da mesma equipe de futebol ou os simpatizantes de um grupo musical... Talvez não tenham demasiadas coisas em comum, mas tem um alto interesse no assunto específico que os une e querem compartilhá-lo. O processo de aprendizagem principal nestas escolas se produz mediante a ação de compartilhar histórias, relatos, conceitos, conhecimentos e experiências.
Para um estranho, esta aproximação pode parecer de pouco valor. No entanto, é de fato mais poderosa que as formas tradicionais de ensinamento. Não só porque o resultado é muito agradável, mas por influenciar a compreensão dos fatos e, portanto, ajudar a ilustrar o conhecimento e impulsionar o desenvolvimento de cada pessoa. Na nova educação frequentemente recorremos ao humor, a ironia, a emoção e a metáfora para visualizar diferentes cenas. Estes elementos facilitam a transferência geral do conhecimento sem demasiado esforço e muito mais efetivamente que outros métodos formais.
Se os pais querem compreender seus filhos e ajudar-lhes a desenvolver segundo as linhas traçada pelas tendências cósmicas naturais, a manterem-se em harmonia com a personalidade cósmica recebida no nascimento e, portanto, assegurar-lhes maior felicidade e maior êxito, terão que compreender muito bem a natureza interior de seus filhos, sem ter em conta as características temporais que podem mostrar por contato com outras crianças, pelo instinto de imitação ou outra influencia exterior.

Fonte: Consciência Índigo: Futuro Presente


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Novos Rumos para a educação - Parte 2

Outras maneiras de aprender

Definitivamente, apresentam outras maneiras de aprender e de ser. Na Fundação INDI-GO e nos estabelecimentos de educação alternativa que visitamos, temos observado, até agora, que as crianças e jovens da nova geração, em geral:
- Trabalham melhor em pequenos grupos. Se “enjoam” e se sentem agoniados em grupos grandes, tem dificuldades se há muito ruído, comoção, confusão. Parece que são fortemente sensíveis ao meio, especialmente do entorno emocional (agitações, gritos, tom de voz, confusão dos adultos). Sua energia se desestabiliza muito rapidamente, porem podem também reconstituí-la rapidamente (por exemplo, com tão somente sessenta segundo de Reiki).
- Também, às vezes fluem melhor com um tutor individual. Conhecemos pessoalmente a dois irmãos que não puderam nem ler nem escrever em sua escola, apesar desta ser de prestígio. Tiveram que aprender em casa com um tutor individual e exclusivamente mediante jogos, caça-palavras, sopa de letras. Em três semanas, não somente aprenderam a ler e a escrever, como começaram a compor suas primeiras poesias e fábulas. A professora particular, que também era vizinha e muito amiga das crianças, nos explicava: “primeiro tinha que escutar a criança durante meia hora, contando-me tudo que havia descoberto na semana, suas novidades, o últimos animal que havia visto no Discovery Channel, seu último experimento. Em seguida, somente podíamos trabalhar-jogar, e só escolhendo temas que sabia que lhes fascinavam. Porem, pude certificar que estas crianças, apesar de seus supostos fracassos escolares eram brilhantes, velozes e totalmente inteligentes”.
-   Necessitam momentos de completa solidão para “recuperar” sua energia.
-   Alguns são muito rápidos em tudo que fazem (e os adultos pensam que tem déficit de atenção!). Segundo professores, frequentemente, depois de ter dado a seqüência de passos para obter um resultado, algumas crianças chegam ao resultado final saltando-se certos passos ou as vezes todos. Outros usam seus próprios métodos, que não foram explicados em aula, chegando ao resultado correto.
-   Preferem ver “o grandioso”, lhes interessam os problemas do mundo e se preocupam com problemas sociais, políticos, ambientais. Conhecemos várias crianças, entre 6 e 10 anos, que querem criar sua própria Fundação para ajudar as crianças de rua, outros que querem ajudar os idosos, ajudar ao meio ambiente, salvar todos os cachorros vira-lata, salvar as florestas, baleias, golfinhos, mudar a sociedade e a economia, descobrir outra fonte de energia, entre outros temas.
- Desenvolve-se melhor se estão em contato regular com a          natureza, lugares “de poder”, lugares históricos, e com os elementos, especialmente a água (“renovam” suas energias, “despertam-se os códigos e a memória celular” e abrem-se “canais”).
-   A matéria estudada tem que ser de interesse[1] para eles, prática e com um resultado final imediato (como por exemplo, é o método William Kilpatrick[2]), do contrário se irritam totalmente.
-         Caso se trate de um experimento e/ou um jogo, melhor ainda.
Um conselho para os pais: em caso de mudança de escola, buscar a nova com a criança e perguntar-lhe como a “sente”. Isto não significa que é a criança que manda ou que manipula os pais, mas, que ao final, é ele que vai passar toda a sua infância e talvez quase a totalidade de sua juventude neste estabelecimento, então, é melhor que seja de seu agrado... Isto evitará muitos problemas no futuro.

E em casa?

É preciso entender que o exterior nem sempre é fácil para seu filho Índigo, seja com os amigos ou na escola... Por conseguinte, é importante que, pelo menos em casa, seu filho encontre um lugar seguro, cômodo e de paz física, emocional, psíquica e espiritual; onde a criança ou jovem possa contar com amor e apoio incondicionais e tenha um espaço próprio para “recuperar” suas energias, sem interferências, gritos nem reprimendas. Ficará muito agradecido, lhe demonstrará muito afeto e colaborará com você. É primordial entender que, se estão juntos, é para viverem bem primeiramente.
Tanto as crianças pequenas como aos jovens, lhes encanta tudo o que está vinculado com o fogo, a terra, a água, semear, ter mascotes, sentar-se ao redor de uma fogueira, acender velas, possuir cristais e pedras, tomar banho de tina ou de ducha durante horas; que ninguém lhe reprimenda constantemente (quem gosta?) por sua desordem, por não estender sua cama ou por não ter tempo de comer sentado à mesa.
A arte do Feng Shui diz que é necessário o caos para ser criativo... E quão criativos são nossos filhos ( portanto têm uma desordem proporcional a sua criatividade genial)! Também é importante que se lhes dê atenção, lhes deixe contar seus sonhos, visões, impressões, sentimentos. Necessitam ser independentes. Ver a seguir o artigo de Juan Angel Moliterni, “Para que uma criança floresça” (próximo post em breve), onde aborda excelentes pautas de educação-crescimento-desenvolvimento integral em casa.


Como complementar a educação atual?

Em muito pouco tempo, as escolas dos países chamados terceiro-mundistas terá dificuldades em ter capacidade suficiente para receber cem por cento está onda de nova geração, tanto por escassez de infra-estrutura e pessoal (nas salas de aula das escolas fiscais no Equador se amontoam de 40 a 50 alunos por professor) e a pobreza de seu material didático, como por falta de preparação do corpo docente. Não vão funcionar e de fato, já não funcionam como demonstra o grande numero de mães que pedem auxílio diariamente na Fundação INDI-GO com o mesmo problema: “meu filho já não quer voltar à escola”. Assim como os altos índices estatísticos do país de deserção escolar e repetição[3].
Por tanto, é importante começar a projetar outros rumos, ferramentas, possibilidades para a educação destas crianças segundo os casos, a situação geográfica e/ou econômica dos pais, e mais que tudo, a necessidade de nossos filhos.
Seria o caso de complementar a educação com um sistema de foros auto-convocados de duas formas:
- Foros de crianças – pequenos e grandes juntos- onde possam intercambiar idéias, se apoiarem e se ensinarem mutuamente. Na Fundação INDI-GO organizamos vários foros deste tipo, com resultados realmente espetaculares, similares a reuniões de adultos, onde as crianças juntas tratam de temas espirituais e esotéricos, também como o mais prático e o social.
- Foros com um convidado especial de alto nível, por exemplo, um ancião de muita sabedoria, um Xamã, um “mestre de verdade” (jovem ou não), um monge budista, um narrador de mitos indígenas, um cientista, um mestre em Reiki. Estes encontros são fascinantes. Por exemplo, quando os mais velhos da Amazônia narravam suas histórias a noite, as crianças permaneciam, com seus olhos totalmente abertos, fascinados, escutando-lhe contar, até que lhes vencesse o sono, sobre o espírito da anaconda, da cascara sagrada, do colibri, da águia malvada, das lagoas sagradas, do respeito as selva, da Sinchi Sacha, da vida, da força, dos poderes...
Outra possibilidade é incorporar mecanismos que apóiem o aprendizado prático (tipo método Kilpatrick como mencionamos anteriormente), conhecendo a “vida real” e apoiando ações sociais, ambientais, musicais, plásticas, que por sua vez desenvolve sistematicamente as inteligências múltiplas das crianças.
Outra solução seria programar um sistema de produção áudio-visual, com intercambio com todos os países de mesmo idioma para a difusão de programas didáticos de alta qualidade por meio de:
-         Livros eletrônicos colocados na internet
-         videos
-         TV
-         radio
-         CDs
-         E a Internet.
Um canal próprio de educação televisado e radiofonizado poderia facilitar uma rápida difusão de material adequado e massivo, sem necessidade de um numeroso corpo docente, de infra-estruturas caras e de logística de distribuição sofisticada.
Em todo o caso, não ter dúvidas quanto a perguntar as crianças e não ter conceitos preconcebidos. Caso haja falta de professores preparados (e há) não ter dúvidas em contratar jovens Índigo para ajudar as crianças menores[4].
E finalmente, e sobretudo, é importante confiar no processo e reconhecer que para ajudar a uma criança o adulto tem primeiro que sintonizar-se com sua harmonia interior e irradiar paz.


Marco conceitual da proposta da co-educação[5]

Conclusivamente, podemos ver perfilar-se as seguintes linhas de uma co-educação mais prática e humana que descrevemos brevemente a seguir. Está baseada em três eixos principais.

1.   Principios da co-educação:
- Principio de complementaridade e alternativas práticas: a co-educação está especialmente desenhada para ajudar, de forma prática, aos docentes e pais de família a partir da realidade vivida em suas salas de aula e em casa, e pensada diretamente em função das novas características, necessidades, talentos e diversidade da geração entrante. Deveria contemplar a opção de estudar a semi-distancia se assim o necessitam as famílias, e/ou em pequenos grupos com a ajuda dos pais.
-         Princípio da inclusão e da interculturalidade: a co-educação é para todos, e inclusive a todas as crianças que sejam consideradas incapacitadas, superdotadas, talentosas, lentas, rápidas, e a todos os co-atores da educação e do cotidiano; quer dizer, docentes, irmãos, pais, avós, os meios de comunicação, com os mais altos princípios humanos de tolerância e diálogo.
-         Princípio de desenvolvimento da inteligência versus memorização: a co-educação implica uma série de ferramentas totalmente práticas das quais, a super-aprendizagem. Inteligências múltiplas, etc.
-         Princípio de valores e ética: enfatizam os valores reais do ser humano como a ética, a cooperação e o desenvolvimento espiritual.
-         Princípio da bio-educação: toma conta da parte lúdica das atividades e do prazer que deve produzir o processo de aprender; se ocupa da parte emocional do aluno, seu bio-ritmo e seu desenvolvimento integral, tanto em seu aspecto físico, mental, sócio-cultural, psíquico, emocional e espiritual assim como se toma conta dos métodos ancestrais de educação dos povos indígenas, Yachac Huasi.


2.   A co-educação é uma instrumentalização dos quatro pilares[6].
-         Aprender a conhecer, onde prevalecem as técnicas de desenvolvimento da inteligência e da curiosidade.
-         Aprender a fazer, onde prevalece a “concretização” das múltiplas formas de inteligências e de aprendizagem, a noção de trabalho e “projeto”, a noção de “utilidade” e da aplicabilidade dos conhecimentos, da ética e da estética.
-         Aprender a viver juntos, onde prevalece a cooperação, a noção de serviço, o trabalho em equipe, a co-construção do mundo de amanha, sobre os princípios da paz (ver o exemplo da educação da paz da UNIPAZ, Brasil).
-         Aprender a ser, onde prevalecem as qualidades e o desenvolvimento do ser.

3.   A co-educação e sua “caixa de ferramentas”.
Finalmente, a co-educação provê ao docente e aos pais uma série de ferramentas práticas e sistematizadas, baseada em recursos locais e em sentido comum, onde se estimulará entre outras coisas[7]:
-         As várias ferramentas das inteligências múltiplas
-         A estimulação do hemisfério cerebral direito
-         A otimização dos recursos do meio ambiente
-         Os valores e a ética
-         A arte, como processo e fim
-         A atividade física
-         A investigação própria (ao vivo, internet, etc…)
-         A tradição local, a aprendizagem de outros idiomas, incluindo os idiomas regionais indígenas
-         As explorações de campo, utilizando a infinidade de conhecimentos e recursos – ecológicos, culturais e sociais- que apresenta a biodiversidade e a pluriculturalidade da América Latina em geral.

Fonte: Consciência Índigo: Futuro Presente

Tradução: sandraferris@globo.com



[1] Mamãe, por que na escola não estudamos coisas maravilhosas, coisas interessantes?
-Como o quê, querida?
-Como o Egito, Atlantis, Um, Reiki, a Ilha de Páscoa, as Plêiades, como ajudar as crianças de rua, como produzir energia limpa com água e cristais...
[2] Ver o artigo sobre o tema na revista Amérika Índigo, #1, outubro 2003, pelo Ing. Enrique Hernandez, WWW.indi-go.org

[3] Segundo as estadísticas do Equador, o país tem registrado um alto índice de deserção escolar: 7% para crianças, 28% para adolescentes (SISE,ECV,1999).
[4] Quantas vezes temos visto os irmãos maiores ensinar a seus irmãos menores. São grandes pedagogos como se divertem! O fazem por pura brincadeira.
[5] A co-edu-criação.
[6] Os quatro pilares da educação, descritos no capitulo 4 do livro de Jaques Delors, UNESCO, Paris, Aprender: O Tesouro Interior, constituem a base de todo o informe da Educação da UNESCO, 2002. estes quatro pilares do saber não podem ancorar-se somente numa estapa da vida de uma pessoa, nem em um só lugar. É preciso repensar quando se deve promver a educação na vida das pessoas, e que campos deve cubrir esta educação. Os períodos e campos devem complementar-se e estar interrelacionados de tal maneira que todas as pessoas possam obter o máximo de seu próprio meio educacional específico durante toda sua vida.

[7] A “caixa” da Fundação INDI-GO até o momento tem 250 ferramentas práticas (2003) que desejamos publicar no proximo livro da Coleção KAYA.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Novos Rumos para a educação - Parte 1


Noemi Paymal

Ela lhe ofereceu um caderno azul, com folhas em branco.
Escreve: um guerreiro da Luz presta atenção aos olhos de uma criança.
Porque elas sabem ver o mundo sem amargura.
Paulo Coelho

O Doutor Roberto Crema, Vice Reitor da Universidade Holística Internacional da Fundação Cidade da Paz, conhecida como UNIPAZ, Brasil, observa em seu livro Da Especialização a Vocação: a Educação do Século XXI, que a palavra Educação vem do latim educare e significa “trazer para fora a sabedoria inerente ao indivíduo, atualizar seu potencial vocacional”.
Portanto devemos urgentemente projetar um sistema educativo que possa:
- “Trazer de dentro para fora”, em vez de “trazer de fora para dentro” o conhecimento. De fato, uma série de dados e informações trazida de fora, freqüentemente, pode ser obsoleta, irritante, incompleta e inclusive “contaminante”, tanto mental como espiritualmente, por não deixar espaço para a própria reflexão.
- Contemplar “a sabedoria” como parte a part entière do processo educativo, partindo da premissa que o conhecimento sem a sabedoria é inútil, e inclusive perigoso.
- Reconhecer que a sabedoria é inerente a cada ser e que o indivíduo tem tudo dentro de si.
Por isso é importante observar as fortificações dos estudantes, confiar neles e afiançar seu potencial vocacional.
Não é de se estranhar então que uma das primeiras tarefas das crianças Índigo – seja tácita ou explicitamente - é a transformação do sistema educativo, porque é a primeira matriz a que se confrontam como crianças. Por suas características, a medida que crescem, elas, como novos lideres inatos, irão denunciando e mudando os demais sistemas: sociais, ambientais, econômicos, de saúde, tecnológicos, novas fontes de energia, etc... Inclusive, muito frequentemente, este seja um tema comum e recorrente de suas conversações e jogos.
Jeane Westin (mencionada por Armstrong, 2001:73) escreveu um livro The Coming Parent Revolution, A Iminente Revolução dos Pais, sobre os supostos problemas dos incapacitados de aprendizagem (DA). Penso que, como os pais tardaram em fazer sua revolução, as mesmas crianças não tiveram outra saída que fazer a sua. Os Índigos já começaram o que sustento poderíamos chamar “The too Real Presente Child Revolution”, a atual e por demais real Revolução das Crianças.
Existe um grupo de crianças totalmente incapazes de continuar a pantomima
Thomas Armstrong (2001:7) comenta: “Existe um grupo de crianças totalmente incapazes de continuar a pantomima, mas que nada porque seu modo original de aprender choca fortemente contra a maneira estreita como as escolas enfocam a aprendizagem. Nos últimos anos, estas crianças têm ganhado um par de qualificações injustas: dizem que tem ‘dificuldade de aprendizagem’, ‘déficit de atenção’ e ‘hiperatividade’.” Aqui poderíamos incluir mais outra etiqueta: Índigo!
Em seu livro Inteligências Múltiplas. Como descobrir e estimulá-las em seus filhos, admiravelmente bem documentado e de atualidade, Armstrong demonstra a todos os pais e docentes preocupados, que em geral, seus filhos e alunos não somente são totalmente “normais” dentro de novos parâmetros educativos estudados a fundo pelo autor durante a última década, como também que, inclusive, pode ser que sejam excepcionais.
Comenta Armstrong (2001:12-13): “Em minhas próprias classes para os ‘incapacitados de aprendizagem’, tive um surpreendente grupo que contavam com: um menino que ostentava o recorde nacional de natação [...]; uma menina que era modelo de uma cadeia de armazéns a nível nacional; sobressalentes artistas e escritores; um menino com percepções extra-sensórias; experts contadores de contos; destacados estudantes de matemáticas, e muitos outros seres humanos de grande talento. Espero, que quando estas crianças ingressem no colégio, os professores e os pais possam fazer ênfases em sua ‘incapacidade’”.

Um futuro a toda velocidade
Marshall McLuhan comentava (em David V. Tansley, 1977:173): “Hoje em dia, ninguém pode ocupar uma posição fixa ou encontrar uma meta fixa e irremovível [...] Um jovem doutor será tão obsoleto no dia em que se gradue como o será qualquer engenheiro. Ambos haverão passado anos adquirindo grandes pacotes de dados informativos, enquanto vive em um mundo real no qual existe um mosaico de informação movendo-se a toda velocidade” esta citação foi escrita antes de 1977, e é ainda hoje mais verdadeira que nunca, no início do terceiro milênio.
Tudo indica que a informação e os dados são temporais, limitados e de pouco interesse, mais ainda assim não estão contemplados em rápida dinâmica evolutiva e inseridos em contextos macro. Portanto, cabe interrogar-se se o conhecimento repartido e os temas estudados são interessantes e úteis para o estudante; dá-lhes prazer? Emociona-lhes? Podem aplicá-los em algo, no presente e no futuro? Precisam realmente aprofundá-los, ou é suficiente que saiba onde conseguir dita informação? Fazem-lhes crescer como pessoas?
Assim que, hoje em dia, mais importante que a informação per si, são:
- as faculdades e destrezas em conhecimentos de processos e métodos para buscar a informação e extraí-la corretamente;
- Discernir e comprovar se a informação é útil ou não, verdadeira ou não;
- processar e organizar a informação em um resultado final, quer dizer, desenvolver a facilidade de concretizar, “precipitar” algo abstrato para algo concreto e útil.


Aprendizagem integral

Também, a aprendizagem intelectual é válida única e somente se vai acompanhada por qualidades humanas de desenvolvimento pessoal integral; quer dizer, físico, emocional, mental, social e espiritual. Para que ser um gênio, se não pode ser primeiro um ser humano saudável, cheio de sabedoria e bondade?
Zachary Lansdsdowne (1993:50 e 52), desenvolvendo as “formulas” de Alice A. Bailey, disse a respeito: “A educação efetiva deve incluir duas classes de esforços. O primeiro é compartilhar conhecimentos com os estudantes em forma de dados e informação. O segundo é incentivar-lhes a utilizar seus conhecimentos acumulados de tal maneira que tenham uma experiência prática e cresçam em entendimento”. E logo enfatiza a importância de que os estudantes vejam a verdade por si mesmo, posto que “através deste processo, obterão por sua vez conhecimento de primeira mão e sabedoria. O conhecimento de segunda mão é teórico e baseado na confiança e na inteligência de outros, mas o conhecimento de primeira mão é comprovado e baseado em fatos. A sabedoria é uma extensão do conhecimento de primeira mão. É o poder de entender o significado que reside por trás dos fatos observados mais o poder de aplicar estes fatos de maneira prática”.
Finalmente Lansdsdowne (idem:54) adverte que, pelo contrário, uma educação teórica, baseada só em ler e escutar instruções, “é uma maneira de escapar da realidade [...], é ter a ilusão de progresso sem pensar na conclusão”, e que a verdadeira educação é a “que provoca mudanças na vida do estudante”.
O grande líder arhuaco Adalberto Villafañe, assassinado em 1996 em Sierra Nevada, Colômbia, fundador da Organização Gonawindua com Ramon Gil, dizia: “É importante sonhar... mas é mais importante trabalhar para que esses sonhos se tornem realidade”. Por isso se tem dito deste líder tão carismático: “Almas como a de Adalberto Villafañe, ainda fazem parte deste mundo. Místico por raça e lutador circunstancial, acumulou tanto afeto como admiração e respeito por parte de quem o conheceu”. (Extratos da revista Zhigoneshi, abril 1996, nº 4, Santa Marta, Colômbia)

São estes os novos paradigmas?

A resposta é não. São, pelo contrário, muito antigo, muito próximo dos ensinamentos dos sábios indígenas, muito próximo do ensinavam Platão e Sócrates, muito próximo das grandes escolas filosóficas e religiosas do passado, onde o estudante aprendia primeiro a ser.
Num futuro próximo, os trabalhos e as características laborais vão mudar dramaticamente. Os trabalhos do futuro estarão baseados nestes três princípios básicos:
- a noção de serviço
- a noção de cooperação
- o trabalho em equipe.
Onde se trabalhará para o mundo e não como indivíduo para si mesmo.
Para isto será requerido um pessoal que possua qualidades pessoais e integridade muito grande (morais, humanitárias, espirituais). Com os esquemas que se vislumbram, nossos filhos, os da nova geração, não somente não terão escassez de trabalho, como também formarão as “novas elites” ou talvez em palavras mais apropriadas, digamos que constituirão os novos pensadores-executivos-atores de amanha.

Experiência da Fundação INDI-GO, Equador

Em nosso trabalho na Fundação INDI-GO, observamos que surgem novas “classes” de crianças, ampliando a classificação que temos até agora de Lee Carrol e Jan Tober, de Índigos humanitários, conceituais, artísticos e inter-dimensionais.
As crianças e jovens em geral lhes desgostam estas classificações e suas limitações e inclusive ser negam a ser etiquetados de “Índigo”, o qual se choca com sua visão  de “um todo” e com seus princípios de humildade. Por outro lado, as crianças acumulam em diferentes proporções todas estas características, como também as de psíquicos, curadores e outras ainda não documentadas. Existem tantas variações como indivíduos.
Finalmente observamos na Fundação a chegada de crianças diferentes, a quem nós chamamos crianças “entre Índigo e Cristal” e que apresentam outras características, diferentes das do Índigo “clássico”. Não são “transmutadores” de sistemas ou “promotores” de mudanças como os Índigos, são mais reservados, mas sumamente profundos. Sentimos que estamos em frente a mudanças muito rápidas, amplas e complexas, mais até do que pensávamos. Portanto, acreditamos que é mais prudente e honesto reconhecer estas variáveis e dita aceleração. Inclusive vários investigadores agora alem da geração Índigo e Cristal, falam da terceira, quarta geração, e até da quinta geração (2003)
A cada semana chega outra criança e/ou acontecimento que enriquece nossa investigação. É importante reunir esforços, compartilhar estudos e dados, investigar de maneira interdisciplinar (por exemplo, faltam muitos dados a nível médico, genético, psicológico, estatístico, entre outros) para poder “pensar-entender-visualizar” melhor o rumo que está tomando a nova geração ajudando assim corretamente.

Uma mudança radical na educação atual

Com os paradigmas “redescobertos” e as novas metas que emergem, podemos perceber facilmente a necessidade de uma mudança radical e urgente na educação atual, com pena de desaparecer como tal, com a finalidade de prover ferramentas sui generis, a medida da tarefa que espera estes jovens. As observações a seguir foram tomadas de informações compartilhada na web, de comentários de mais de 1.500 famílias em 2002-2003 que se aproximaram da Fundação INDI-GO, Equador, seja pessoalmente, por telefone ou por e-mail, de entrevistas com professores e diretores de turmas escolares, dos trabalhos de equipe técnico da Fundação INDI-GO para elaborar projetos de educação alternativa e nossa própria convivência com as crianças.
As crianças e jovens Índigo ou da nova geração (como o mencionamos anteriormente, se aborrecem ao serem catalogadas) são muito claras em suas ações e comportamentos, em suas palavras, seus pensamentos. De fato, se aceitamos ver e escutar-lhes, são congruentes, transparentes, de “leitura” sem ambigüidade[1], o que pode facilitar enormemente o trabalho do educador, tanto pais como professor, que queiram colaborar de verdade.
Em geral a criança da nova geração não pode conformar-se com a educação atual, repudiando-a em seu conjunto como um sistema caduco, com pouco interesse. Conhecemos pessoalmente duas crianças, uma de 6 anos e a outra de 8 anos, que foram diretamente ao Diretor de suas respectivas escolas para expressar sua desaprovação do sistema educativo, questionando o currículo, os métodos de avaliação e os métodos pedagógicos. No entanto admoestaram com um sorriso ao diretor: “Mas, você não perca a professora, ela também precisa aprender”.

Do ponto de vista das inteligências múltiplas (ver mais adiante neste livro) é impossível que uma criança de inteligência altamente intrapessoal (alem de utilizar quase todas as outras inteligências, em vários graus) possa desenvolver-se harmônica e felizmente num lugar altamente interpessoal, onde é valorizada quase exclusivamente a inteligência lingüística e a lógica-matemática, causando um profundo desequilíbrio na aprendizagem de milhares de crianças que tem na realidade um enorme e genial potencial.
Porem, esta criança é tão brilhante e criativa que está disposta a buscar e aplicar soluções próprias se tem confiança e se sente apoiado. Sabe o que necessita e o que não necessita. Por outro lado, um jovem Índigo a quem ninguém escuta ou faz caso, poderá optar por expulsar-se do colégio, mudar de turma e, de ser necessário, por ser totalmente autodidata[2].

Extraído do Livro Crianças Índigo: Futuro Presente

Traduzido por: sandraferris@globo.com




[1] Quando uma criança ou jovem lhe diz “não” é “não”, e não vai fazer, seja o que for a coisa que tentava que fizesse.
[2] Também eventualmente escolhe trabalhar; as vezes pode ser que comece a consumir drogas, sobretudo se está acostumado a tomar Ritalina ou outros fármacos “receitados”.



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Creática: Uma nova Educação para os Genios do Futuro



Natalio Domínguez Rivera

A Creática consiste em uma estimulação integral da pessoa de cara para o futuro. É um Programa para descobrir, não para ensinar nada. E menos ainda para entreter as crianças com exercícios complicados. Isto seria demasiado desperdício para o tempo que levamos trabalhando com afinco neste modelo.
Na Creática usamos iniciar nossas conversas com uma parábola muito significativa: contam que um menininho, vizinho de um grande atelier de escultura, costumava parar e olhar com curiosidade os trabalhos dos artesãos e dos artistas. Assim, se tornou amigo de um deles. Um dia foi visitar o seu amigo e se surpreendeu ao ver que alguém colocara ali uma imensa pedra. Porem, não disse nada. Quando voltou a visitar seu amigo, passadas as férias, encontrou no lugar da pedra um lindo cavalo de mármore branco. Voltando-se intrigado para seu amigo perguntou:
-         Como você sabia que dentro daquela pedra havia um cavalo?
O artista não pode deixar de sorrir e elevar os ombros como resposta.
A frase do pequeno era algo mais profundo que uma ocorrência infantil. Era nada menos que a parábola de toda vida humana. A verdade é que o cavalo já estava dentro da pedra, e que a habilidade artística consistia precisamente nisso: em saber ver o cavalo dentro, e ir tirando do bloco de pedra tudo o que sobrava. O escultor não trabalhou acrescentando partes do cavalo. Mas tirando a figura encerrada dentro do bloco de pedra, vendo dentro o que ninguém via.
Com a educação acontece o mesmo. A verdadeira genialidade de um diretor, de um pai ou de um mestre não é induzir, completar desde fora, agregar pedaços a criança para educá-lo, mas extrair, e-ducir (daí vem a palavra educação), não completar ao que falta a criança, porque não lhe falta nada a sua natureza, tudo está dentro dela.
Este é o novo enfoque: não ensinar, assistir ao sentido comum, fazer com que, com alguns dados que vamos lhe dando, ela vá trabalhando, como a larva, para emergir, para sair, para descobrir todas as possibilidades, as aptidões, os processos que de forma embrionária estavam dentro dela, pondo em movimento o programa. Podemos induzir-lhe a ciência, mas não a vida, as condutas, os valores, a sociabilidade, a espiritualidade, a transcendência, que já vieram no pacote como programa de vida. Mas, havia algo que não tinha sido levado em conta pela psicologia tradicional: o surgimento de uma nova classe de crianças diferentes, não compreensível para os dados que possuíamos.
Quando em 1970 surgiu o Movimento para o Desenvolvimento da Inteligência, hoje chamado Creática, ainda não se falava das crianças Índigo. Porem estava aparecendo cada vez com mais freqüência, crianças surpreendentes que em nada se diferenciavam biologicamente das demais crianças, mas que psicologicamente eram “anormais em excesso” comparadas com seus similares.
Destacavam-se por sua limpeza mental, sua aceleração vital, sua maturidade precoce no campo ideativo, ainda que não nas tarefas escolares, sua capacidade crítica um tanto cáustica e mordaz, seu descontentamento com o sistema educativo, sua facilidade em manejar instrumentos eletrônicos e, sobretudo, uma visão distinta da vida e um repúdio pelas tarefas rotineiras. Crianças que estavam aparecendo com uma personalidade muito definida, sem possibilidade de diagnóstico, porque cada uma delas era diferente, e nas quais não se podia aplicar o clássico C.I. (cociente intelectual), não porque fossem mais inteligentes, mas porque elas estavam em outra onda.
Nunca tinham aparecido tantas e tais exceções juntas na história da psicologia. Durante sete anos se trabalhou primeiro isolando o problema, e buscando depois uma forma de aliviar a situação dessas “crianças precoces”, como as denominávamos. A equipe começou a suspeitar no principio que eram crianças excepcionais que na loteria da natureza haviam sido premiadas. Nós resistíamos a aceitar sua normalidade. Buscávamos clinicamente sintomas e detalhes de anormalidade. Hoje estamos convencidos de que é para elas que temos de olhar e de quem temos de esperar, porque são as que vão configurar as sociedades do futuro, para um mundo mais humano.
No entanto, ainda suspeitávamos que estas crianças fossem fruto da tempestade de informação dos meios de comunicação de massa e da proliferação dos jogos eletrônicos. Por isso deixamos de chamá-los “crianças problema”, e passamos a chamá-los jocosamente “crianças Nitendo”, os que hoje seriam chamados “crianças Internet”.
O caso é que aparecia este fenômeno em crianças que não recebiam tempestades eletrônicas. Ou seja, era preciso admitir que fosse um fenômeno de novo interesse, e nos negávamos sequer a pensar na mais leve suspeita de mutação genética. Os estudos de laboratório parecem estar na onda de que, como não somos especialistas na matéria, preferimos não opinar. Estão notando e certificando nestas três últimas gerações uma inicial e potente mudança estrutural a nível psicobiológico nas crianças.
É uma lástima que, oficialmente, as escolas e os colégios privados estejam ainda enfrentando estas crianças, e tachando-os de “sujeitos problemas”, e até de enfermos emocionais ou tomados de certa psicopatia. São crianças muito diferentes das crianças que fomos.
Para muitos educadores, havia uns sintomas alarmantes nas crianças hiperativas que era um problema em sala de aula e no ambiente familiar, com uma mente estranhamente desperta, agressiva para o docente superior e normal, ou para os pais autoritários e monárquicos. Estas crianças eram inquietas, extremamente inteligentes, questionadoras, incompreendidos, com péssimas notas às vezes, porem brilhantes idéias destruidoras de velhos paradigmas.

Nossa preocupação aumentou quando nos trabalhos de campo dos alunos da cátedra de Psicologia Evolutiva apareceram em todas as classes sociais umas crianças não classificadas em nenhuma das características evolutivas dos veneráveis tratadistas do passado (Hurlock, Piaget, Moragas, etc.).
Cada dia aumentava o numero de “crianças problemas por excesso”, como os denominávamos num primeiro momento, que não eram compreendidas nem em família nem em sala de aula, que eram isoladas, quando não, abertamente repudiadas ou verbalmente agredidas. Hoje a essas crianças nós chamamos de “Índigo”, ao que parece por sua aura tingida de anil. Os que não temos o dom de perceber essa aura, não os catalogamos, e menos ainda nos atrevemos a diagnosticá-los. O que menos importava era a denominação.  O que tínhamos que fazer, já que estavam ali, era ajudá-los e compreendê-los.
Em cada amostragem eram mais numerosos os casos. Impunha-se criar novas formas de tratá-los e educá-los. Não se contentavam com a instrução. Empenhavam-se em serem pessoas humanas distintas, e discutiam conosco seus programas, sempre diferentes e melhores que os que lhes estava sendo proporcionado por sua sociedade e pelas autoridades educativas.
Em um dado momento, quase que paralelamente, foram aparecendo casos de crianças estranhas na China, Romênia e Estados Unidos. As universidades do mundo começaram a se preocupar com o problema. No ano de 1983 o Presidente do Instituto de Creática, por ocasião de um curso-oficina de Desenvolvimento da Inteligência solicitado pelo Governo da China Popular, ouviu falar na Universidade de Beijing de certas “crianças superpsiquicas”, e se inteirou das surpreendentes habilidades dessas crianças, que sem nenhum treinamento prévio, captavam o pensamento alheio, liam uma pagina de um livro fechado, moviam uma bola no ar com energia projetada e, sobretudo, apresentavam uma maturidade até então inconcebível para os cânones normais de evolução psíquica e certa imunidade contra enfermidades crônicas, como o Câncer e a Hepatite B.
Nada nos informaram as personalidades chinesas que visitaram Caracas, mas depois soubemos que a razão de sua visita era que haviam recebido a notícia de que na Venezuela se havia criado desde 1978 um Ministério para o Desenvolvimento da Inteligência, e que tinham vindo, precisamente, segundo posterior confissão (primeiro três professores da Universidade de Beijing e depois o próprio Vice- ministro de Educação) com a intenção, oculta de inicio, de indagar se nós teríamos a solução ou, pelo menos, uma explicação para o fenômeno.
Ali se confirmaram nossa suspeita de que o fenômeno não era regional, que era algo mais que uma super-ativação devida aos meios e aos jogos eletrônicos, que estava aparecendo uma espécie de mudança brusca e rápida em nível de espécie, em duas ou três gerações, quando era regra geral que uma mutação, biológica ou psíquica, em qualquer espécie, levava centenas e até mesmo milhares de anos.
Mas que tipo de mutação, deveríamos chamar “a caminho”, já que o parecer do que estava acontecendo era de que elementos do ADN que se encontravam inativos apareciam nestas crianças funcionando com normalidade. Decidimos deixar para os biólogos estudar o fenômeno mutacional, e nos dirigimos ao que nos correspondia: a solucionar os problemas iminentes de conduta com um critério de utilidade. Queríamos encontrar para eles uma evidencia de reconhecimento, onde soubessem que os compreendíamos ainda que não os entendêssemos, e que estávamos fazendo o possível para atender a necessidade de velocidade evolutiva.
Quando nos demos conta, o rio nos foi levando para novas formas educacionais, pelas quais não havia o que ensinar ao aluno, senão colocá-lo em situação de aprendizagem. Com isto desaparecia a figura do educador ritual, exigente de memorização, e aparecia o companheiro de viagem que demanda do aluno raciocínios e responsabilidades em sua aprendizagem pessoal, em suas idéias, em suas condutas e em sua particular escala de valores.
E assim nasceram os programas, com suas características pertinentes para as crianças destas novas gerações. Nascia a Creática, a ressurreição da Maiêutica de Platão e de Sócrates, que afirmava sem rubor que ele não era o pai da criatura nas mentes de seus alunos, mas o parteiro das idéias, e que as ajudava a nascer. Avançamos nas exigências acadêmicas em mais de quatro anos, para escândalo dos temerosos. E o resultado é que essas crianças problema não eram as tais, e que se deleitavam com nossos desafios e que se sentiam felizes de que ninguém lhes ensinara nada, senão que eles, revolvendo os dados que lhes dávamos procedendo do concreto nos exemplos, tiravam suas próprias conclusões, por investigação, por senso comum, por lógica natural.
Estes programas, desde a Educação de Pais e pré-natal, até a Universidade, não estão construídos para as “crianças comuns” que nós fomos, ou dessas que desafortunadamente ainda persistem, apesar do retrocesso, em qualquer instituição pedagógica das quais os governos de todos os países fomentam, para evitar jovens rebeldes e adultos críticos. Os Manuais da Creática foram construídos para os “gênios do futuro”, que já estão entre nós, como um acontecimento que muitos preferem ignorar. Mas que já não podem negar nem parar. Simplesmente já está aqui.
Para mim foi altamente significativo que no Colégio Dom Bosco de Puerto La Cruz, um menino de apenas quatro anos, do Maternal, se safou das mãos de sua mãe, que havido ido buscá-lo, para abordar-me e perguntar:
- É você que faz os absurdos?
- Sim, lhe respondi.
- Me deixa te dar um beijinho?
Comoveu-me. E enquanto me agachava até ele, não pude deixar de pensar como haveriam de raciocinar ante esta anedota aqueles autores que estudamos nas Escolas de Psicologia que defendiam que antes dos doze anos de idade cronológica somente um gênio seria capaz de compreender um absurdo.
Estas crianças não compreendem (e não por rebeldia sem causa, mas porque simplesmente não compreendem) que lhes exigimos rotinas e disciplinas que são compreensíveis só em ovelhas, como nas filas, a compostura, o silêncio desnecessário, mas que são capazes de fazê-lo quando não os obrigam, senão quando aponte a sua auto responsabilidade.
Já não podemos deter esta avalanche silenciosa. Eles estão aqui, e não se comportam assim por capricho, senão simplesmente “porque são assim”. Quando não recorremos a sua responsabilidade, mas apenas tentamos obrigá-los por autoridade ou por rotina, se tornam indisciplinados, desafiantes e caprichosos. É sua única defesa, porque se sentem injustamente agredidos, tudo “porque são pequenos” (esta frase é de um deles). Elas sentem-se tão pessoas como nós, ainda que diferentes, e exigem respeito e compreensão. A única forma de compensar nossas injustiças (sem culpa, certamente) é tornando-nos amigáveis, e não considerando-nos condutores de trem, mas companheiros de viagem: pais e mestres, não chefes onipotentes.
Assustamo-nos ao perceber que estas crianças nos exijam raciocínio e honestidade. Não são “nossos” por sermos seus pais ou por estarem inscritos em nossas origens. Os pais têm sido as mãos da Divindade para que viessem ao mundo, e os mestres para fazê-los crescer como humanos, e não as altas representações a quem devem respeito e veneração. Por isso às vezes em seus olhos podemos ler certa reprovação de que estamos fazendo diante deles o ridículo com nossas posturas monárquicas e nossas exigências autoritárias.
Estas crianças através do raciocínio nos tiram do sério, porque ocultamente nós sabemos que elas têm que toda a razão. Para elas a educação do passado não tem lugar em suas vidas. Por isso temos de tratar de encontrar a educação para o futuro: não dar-lhes a solução, mas sim, perguntas respeitosas. Quando será que um autor de livros escolares irá preparar manuais de trabalho escolar que não tenham respostas, senão perguntas tecnicamente elaboradas? Hoje isto é ainda uma utopia. Porem chegará o momento que estas crianças esperam.
Elas não perdoam quando dizemos que fizeram algo de mal , que não louvemos suas intenções e vejamos somente seus erros. Não querem que as protejamos tanto, tornando-lhes a vida fácil, mas sim, sentindo-as capazes, propondo-lhes desafios contínuos, porque estamos seguros de elas tem capacidade suficiente para encontrar soluções. Que com nossas palavras e nossa confiança afirmemos sua autoestima, e não os perdoando por se sentirem incapazes.
Porem tendo sempre em conta que são crianças, e, portanto manipuladores quando nos distraímos. Tenhamos em conta que na infância a histeria (tentar ser o eixo do seu meio e centro de atração) é natural, e por isso nos adultos é uma regressão neurótica. Porem, que essa luta seja franca e sem fraudes, que as armas sejam idéias e sorrisos. Não caiamos na estéril luta geracional. Não nos deixemos anular e que não descubram em nós insegurança e debilidade porque então estaremos perdidos, e é grande o mal que com isso lhes fazemos. Porem é difícil não deixar-se manipular por estas crianças que nos superam e a quem concebemos como os salvadores da humanidade. E antes de tudo não perder o controle.  
Em meados da década de 80, uma mãe levou a meu consultório um casal de gêmeos aos que a primeira vista se podia ler em seus olhos uma super-normalidade. Pois bem, acontece que a mestra de sua série (devia ser de segunda série) os havia “diagnosticada” como atrasadas e com necessidade urgente de psicólogo, já que tinham um alto índice de atenção dispersa. Ao interrogar-lhes a sós para sua folha de vida, ambos me repetiram de diversas formas que a mestra era uma tonta que acreditava que sabia tudo, que não admitia que lhe perguntasse nada, e que os tratava como criancinhas que não sabiam de nada. Alem do mais, repetia tudo várias vezes como se fosse bebê, e que por isso elas se distraiam. Seu C.I. Refletiu dígitos próximos a genialidade. Já tínhamos outros dois casos mais que foram engrossar a lista de gênios do futuro para os quais estávamos confeccionando os manuais de Creática.
Logicamente, os docentes formados nas aulas universitárias anteriores aos anos 70 reagiram com estupor e até com agressividade, ante as afirmações da equipe de Creática. Porem persistimos em nosso labor de investigação e confecção dos manuais. O resultado é que tínhamos razão. Todo ele tinha que ver de alguma maneira com a luta geracional, com a incompreensão e o choque de velhos e novos paradigmas.
Não eram manuais de estimulação precoce, nem antecipada, mas uma atividade que denominamos como Estimulação Pertinente Circunstancial. Pertinente, porque é a que corresponde a esta classe de crianças estranhas, hiperativas, inquietas; e Circunstancial, porque foi confeccionada para este momento histórico e para esta avalanche inesperada que nos tem surpreendido. Possivelmente numa geração futura já não seja suficiente estes manuais, e tenha que se duplicar ou triplicar estas previsões.
Os gênios do futuro nascem. Porem não se fazem, não aprecem, até que os descubramos e os ativemos de alguma forma casual ou intencionada. A razão da Creática é uma forma intencionada de ativação. Em resumo: o problema não são as crianças. O problema somos nós. Não estamos preparados para isso. Elas são os normais para seu momento vital e histórico. Nos já estamos passando de moda. Há que admiti-lo e acoplar-se, se não quisermos perder-nos e perder-los.
Tem-nos chegado à boa notícia que na Venezuela existem pelo menos dois colégios para crianças Índigo, um em Caracas e o outro em Valencia, que tem abertas as inscrições para o próximo ano escolar. A ajuda, de momento, pode ser presencial para Caracas e Valencia, ou virtual por internet, para o interior do país e para o exterior.
Estou seguro que muitos colégios seguirão este exemplo, para dar resposta adequada à inquietude destas crianças a quem podemos chamar diferentes, para não ter que catalogá-los, e muito menos diagnosticá-los. Metaforicamente, cravemos nossas almas para dar graças a Divindade por havermos conhecido este belo momento da história em que a humanidade se colocou na rampa de lançamento, para um porvir mais de acordo com nosso destino e nossa qualidade de humanos.


Fonte: Extraído do Livro “Consciência Índigo: Futuro Presente”