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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma educação para a evolução pessoal e social


“Respostas corretas”, especialização, estandardização, competência estreita, aquisição ávida, agressão, desapego. Sem elas, nos pareceu que a máquina social não poderia funcionar. Não devemos culpar as escolas de crueldade quando só cumpriram o que a sociedade lhes pediu. Porém a razão pela qual necessitamos de uma reforma radical da educação é que as demandas da sociedade estão mudando radicalmente. Não cabe dúvida de que as características humanas que hoje em dia se inculcam deixarão de ser funcionais. Já se tornaram inapropriadas e destrutivas. Se a educação continua sendo como é, a humanidade acabará se destruindo cedo ou tarde.”
G. Leonard, Op. cit.

Claudio Naranjo

O tema já foi anunciado e é praticamente uma tese: já é hora de termos uma educação para o desenvolvimento humano. Acarreta também a convicção implícita de que sem uma educação para o desenvolvimento humano, dificilmente chegaremos a ter uma sociedade melhor. Até aqui, temos vivido uma longa história de nobres propostas e revoluções encarniçadas pela mudança social que descuidavam da mudança individual e parece que já é hora que entendamos que, se queremos uma sociedade diferente, necessitamos de seres humanos mais completos: não se pode construir algo desta natureza sem os elementos apropriados.

Este é um tema que me vem interessando há muitos anos. Interesse que despertou ao
começar a intuir o valor político da educação do indivíduo e, por isso, utilizo o termo “político” no grande sentido da palavra, que alude ao bem público e não ao maquiavelismo da política de
poder. Pensava então que a compreensão do potencial da educação para a evolução social seria uma coisa muito fácil de transmitir a pessoas receptivas no sistema educativo, que por sua vez poderiam fazer o necessário para que a educação se tornasse mais relevante à mudança. Porém já há uns quinze anos estou me dando conta de que acontece algo muito estranho na educação: trata-se de uma instituição muito bem intencionada, uma associação em que, em cada país, fala-se continuamente de reformas possíveis e particularmente de currículos complementares ou alternativos, realizam-se conferências, investe-se muito dinheiro e nada fundamental se modifica, pois domina uma grande inércia institucional.

Para mim isto é trágico, como também me parece trágico que entre todos os males do mundo, este seja um quase invisível. Penso que o desenvolvimento humano é fundamental não só para conseguirmos uma sociedade viável, mas também para a felicidade do indivíduo, pois não acredito que estamos neste mundo simplesmente para sobrevivermos e penso que seria conveniente pensarmos mais em nosso planeta como em uma espécie de purgatório onde chegamos para fazer um trabalho interior: cultivar nosso espírito e abandoná-lo sendo melhores do que quando chegamos.

Até um materialista empedernido ou um agnóstico doutrinário pode reconhecer que “não só de pão vive o homem”. Porém como é possível que depois de milênios de reflexão acerca do destino humano, da felicidade que traz a virtude e da perfectibilidade de nossa condição, exista o mundo civilizado uma instituição que se chama “educativa” e que não se ocupa mais que de coisas relativamente insignificantes? Pois é evidente que em lugar de ocupar-se de ajudar às pessoas a serem boas para que assim tenhamos um bom mundo, ocupa-se de ensinar matérias que, supõe-se, vão servir em nossa vida de trabalho ou que, supõe-se, vão servir à educação de nossa mente, porém que nem sequer servem de grande coisa na preparação dos estudantes para uma vida de serviço, senão apenas para a educação de certos aspectos da mente em detrimento de outros. Mais do que nada, a educação atual serve para passar em exames e assim conseguir um lugar privilegiado no mercado de trabalho, pelo que é exato dizer que o órgão social ao qual corresponderia velar pelo desenvolvimento humano ocupa-se de irrelevâncias, esquecido de sua função – e isto, justo quando o desenvolvimento humano tornou-se sumamente urgente no estado atual do mundo.

Hoje em dia se fala de crise na educação. Por que se fala da crise? Porque os educandos jovens não querem a educação que lhes é oferecida. E, porque é isso fundamentalmente o que leva a instituição a falar de “crise”, bem se poderia dizer que o que tem lugar é uma crise de marketing, interpretada muito unilateralmente e compreendida pela metade.

Culpa-se a juventude, principalmente. Pensa-se: “Estamos em crise porque a juventude
já não se interessa como antes pelos estudos”, “os jovens já não são tão sérios como em outros tempos”, “os jovens tomam drogas e por isso não são capazes de escutar as pessoas sérias que querem trazer estas matérias tão importantes para a aula”. E não se pensa que talvez seja o contrário: bem poderia ser que os jovens estejam adquirindo uma consciência mais desperta do que os docentes que foram programados para ensinar de forma tradicional e, que aos jovens basta um contato breve com a escola para dar-se conta de que não lhes interessa. Inclusive o efeito das drogas (às quais joga-se tanto a culpa nos Estados Unidos e, por eco da polícia norte-americana, no resto do mundo) tem sido principalmente o de abrir questões existenciais, dar um sentido aos jovens de que existem muitas coisas na vida que são urgentes e que em aula são ignoradas como irrelevantes. Nela os assuntos existenciais se vêem sistematicamente oprimidos por uma situação em que falta o encontro humano, o diálogo em torno do que se passa nas mentes, famílias e entorno dos alunos, aos quais se exige estar quietos em suas cadeiras e se treina a obediência.

A propósito, atualmente está provado que a inibição do impulso lúdico causa um considerável dano cerebral, pois existem sinapses que são especificamente estimuladas pelo jogo e depois se perdem. Eu penso que ir ao colégio, hoje em dia, é como comer areia – comer algo que não alimenta – quando se intui que existe outra coisa que, isto sim, seria relevante. É criminoso fazer tanta gente perder tempo, energia, anos de vida com suposições de que é isto ou aquilo que necessitam. O que se necessita é outra coisa: algo que ajude o desenvolvimento humano.

O desenvolvimento humano é muito mais que informação e, sobretudo, muito mais que
o tipo de informação que agora ocupa os educadores, que não é nem sequer para a vida, senão, como dizia, para obter um papel que indique que se tem direito de entrada para o próximo curso. Ao dizê-lo não pretendo que se despreze a evolução da aprendizagem ou se deixe de lado o processo de seleção nas universidades ou no mercado de trabalho. Só quero chamar a atenção ao aberrante que se tornou a educação já que a aprendizagem se faz mais a partir da consideração das boas ou más qualificações do que a partir do interesse em aprender.

É tão difícil mudar algo na educação que, diferente de outros tempos em que eu era otimista, estou chegando a pensar que assim como se falou de um complexo militar-industrial no qual se confundem a violência consciente e a tirania do dinheiro, talvez devamos nos perguntar se a educação, com pleno conhecimento ou não, não é o braço secreto deste sistema opressor: uma instituição cúmplice do sistema econômico, que ao invés de ajudar a consciência humana e o equilíbrio da sociedade, está servindo para a perpetuação do status quo1 e, por sua vez, hipocritamente, para a ignorância (ignorância no sentido mais profundo da palavra, que não guarda relação com a alfabetização, mas com o entender o que nos acontece e o que acontece em torno a nós). Aquele que compreende a fundo o que se passa não pode deixar de comover-se e de sentir que existe uma tragédia implícita na disfunção do nosso sistema educacional. A mim, de imediato, o que percebo me leva a falar mais e mais.

A crise da educação, que não é a crise dos estudantes, manifesta um mal muito antigo, porém, pouco visível e tem seu lado positivo, pois é bom que agora o mal se faça presente. É como uma dor de ouvido que nos faz notar que devemos ir ao médico. Ainda que levemos muito[1] tempo perpetuando uma educação obsoleta, já não se pode educar à força a geração vindoura e isso é bom. Isto lembra algo que atualmente é citado com freqüência: como a palavra “crise” no livro chinês dos oráculos (o I-Ching, em que existe um hexagrama que leva este nome e compõe-se de dois ideogramas sobrepostos, que significam “perigo” e “oportunidade”, respectivamente). Tal é a natureza da crise. Não se trata só de algo mau, mas que nela existe um potencial: o de descobrir que é necessário mudar.

Naturalmente a crise da educação não é algo isolado, mas um aspecto do funcionamento de uma sociedade em que praticamente todas as instituições estão em crise. Já reiterei o escrito há uns dez anos em “A Agonia do Patriarcado” acerca de como nossa crise não é só do capitalismo, da mentalidade industrial (como havia proposto Willis Harman anos antes) ou um assunto de exploração como propunha Marx.

A crise, então, está resultando da quebra de algo muito mais antigo – um velhíssimo sistema que foi durante algum tempo funcional -, porém que se tornou perigosamente obsoleto. Podemos chamá-lo o sistema patriarcal ou o sistema de autoridade patriarcal – um sistema eminentemente hierárquico – a diferença do que poderia ser um sistema heterárquico como o que algumas empresas estão começando a explorar, distribuindo a autoridade de tal modo que distintos departamentos a exercem, com respeito a coisas distintas, em uma rede mais horizontal.

Meu trabalho sempre foi inspirado por esta visão, que me ocorreu quando era jovem tanto através de um chileno, um homem de conhecimento que havia alcançado “o equilíbrio dos três” em si mesmo, como através de Gurdjieff, que falava de uma falta de integração entre nossos três cérebros e, hoje em dia, não posso deixar de sentir que convém ter presente que nossa problemática educação é essencialmente uma educação patriarcal, o que implica não só que está a serviço de um implícito autoritarismo – que perverte nossas intenções democráticas - e implica em uma tirania do racional sobre o afetivo e o instintivo.

A aspiração de harmonizar e equilibrar as partes intelectual, emocional e instintiva de nossa natureza recebe hoje em dia ampla aceitação, e talvez seja isto o que principalmente se quer dizer ao falar de um programa holístico. A idéia de integrar as instâncias psíquicas freudianas, por outro lado, não é menos relevante ao ideal de transformar nossa tirania interior em uma heterarquia trifocal, e hoje em dia se vê apoiada por terapias derivadas da psicanálise como, por exemplo, e notavelmente, a Análise Transacional, apesar de sua nomenclatura um pouco diferente – pai, criança e adulto. Ainda que a noção de um equilíbrio interno de sub-personalidades, relacionadas com o pai, com a mãe e com o filho, seja algo familiar para muitos psicoterapeutas que observam o processo de cura, não só recebeu pouca atenção até agora, mas não foi considerada como propósito explícito da educação ou da terapia. Creio que é, não obstante, uma idéia fecunda.

Dizia que a educação patriarcal, que é que conhecemos desde sempre, é uma educação predominantemente intelectual em que os demais aspectos do ser humano são desprezados. É este claramente o caso da função materna interior, que tem a haver com este cérebro límbico, ligado ao amor, que compartilhamos com nossos antepassados mamíferos. É pouco dizer que esta função se vê muito descuidada, pois hoje em dia sabemos que a forma como a medicina dispôs nossa entrada no mundo, começando pelo próprio nascimento (desnecessariamente traumático em uma medida que se desconhece) e seguindo pelo período de aleitamento (em que não se respeita suficientemente o estabelecimento do vínculo natural entre a mãe e o filho), causa danos ao sistema subcortical. A forma tradicional e estabelecida de criação acarreta uma grande insensibilidade e a escola vem a arrematar esta postergação do afetivo, pois, nada necessitaríamos tanto como uma educação afetiva ou interpessoal, uma educação dessa capacidade amorosa que é a base da boa convivência e da participação na comunidade – e que tão criticamente está faltando no mundo.

Nestes momentos o Dalai Lama está recorrendo ao mundo dizendo em palavras muito comoventes – porque são palavras muito simples, mas também muito profundamente experientes, apoiadas em sua sabedoria pessoal – que precisamos ser mais bondosos, que precisamos ser pessoas melhores. E ele o diz com tanta integridade, com tanta convicção e a partir de tal clareza, que esta idéia tão simples e nada original chega a ter impacto. E isto é uma grande coisa, porque parece que por atender a muitas coisas complicadas, estamos desatendendo algo tão simples. Porém para que possamos sobreviver à atual crise do mundo depende muito de que alcancemos uma dose um pouco maior de benevolência, um nível mais apreciável de compaixão e simples bondade. Sem essa bondade, toda a informação técnica possível não vai muito longe.

A recuperação da qualidade amorosa tem muito a ver com a psicoterapia, necessita-se de uma reeducação emocional e por isto precisamos de algo que a educação atualmente rechaça: os educadores não querem ouvir falar de terapia, e sobre isto falarei mais adiante.
Porém antes quero assinalar que também a educação necessita voltar a ocupar-se da dimensão profunda do ser humano. Esta dimensão profunda é o espiritual e originalmente a educação era para isso: as primeiras escolas em nossa cultura (e com “nossa cultura” me refiro à civilização cristã ocidental) surgiram na Idade Média ao redor das igrejas, e as primeiras universidades ao redor das catedrais. As escolas se orientavam, sobretudo, para que o indivíduo recebesse uma influência que o tornasse uma pessoa melhor, o que no cristianismo antigo se interpretava obviamente como ser um cristão melhor. Ser uma pessoa melhor, então, era ser alguém que segue um caminho de amor e busca servir à vontade de Deus enquanto combate seus excessos egoístas. Mas, com o passar do tempo, a religião foi se transformando mais e mais em algo contaminado pelo mundo, em um sistema de poder patriarcal, como todas as demais instituições.

E, quando chegou o Renascimento, com as pessoas já bastante fartas dos excessos do cristianismo, surgiu uma grande fome de saber e um desejo de recuperar o nexo com o espírito das culturas greco-romanas, eclipsadas durante os séculos mais recentes. Assim surgiu o
Humanismo, que foi uma grande inspiração para muitos. Houve gente como Erasmo, e antes dele, Picco de la Mirandola, Marsilio Ficcino e outros, na grande cultura florentina que inspiraram um redescobrimento da antiguidade, com o que voltamos a estudar os clássicos com o desejo de entender a sabedoria dos velhos filósofos e literatos; entender tantas coisas que sabiam os antigos e que haviam sido esquecidas ou abandonadas por uma cultura demasiado austera em seu desejo de alienar-se do mundo.

Então surgiu uma educação muito rica em que se integrava pela primeira vez o legado das duas civilizações das quais a nossa é herdeira, a judaico-cristã e a greco-romana. Porém esta educação também foi decaindo, foi se transformando em uma coisa inerte e repetitiva, em um luxo, um adorno, em algo encaminhado ao prestígio da cultura, como tipicamente na educação de um gentleman – a educação dos cavalheiros –, vaidade enfim. E assim, pouco a pouco, as pessoas chegaram a estar mais interessada em ler latim e grego do que em poder absorver a sabedoria dos antigos.

A educação se transformou novamente ao chegar a Revolução Francesa em um momento que coincidiu com o apogeu da ciência na cultura. A ciência experimental havia tido um tempo de incubação desde Bacon, e os que chegaram ao poder com a Revolução Francesa, naquele momento com uma grande capacidade de fazer coisas radicalmente diferentes, chamaram às escolas pessoas que não tinham experiência em ensinar, mas que sabiam química, sabiam paleontologia, biologia. Chamaram as pessoas da escola de Cruvier, da escola de Laplace, etc. À medida que as ciências entraram no currículo, as humanidades perderam peso. Fazia falta, até certo ponto, pois como temos dois hemisférios cerebrais, esquerdo e direito, com funções analíticas e sintéticas respectivamente, pode-se conceber como desejável um equilíbrio entre o científico e as humanidades. Porém de acordo com o espírito da cultura circundante (quer dizer, do mundo tecnológico, com sua fé no progresso científico e sua implícita equação que iguala este com o bem futuro do mundo), a ênfase se deslocou para o científico e é isto o que pedem os bancos aos governos quando financiam melhoras.

E chega logo na história da educação o momento em que se produz a separação do
Estado e da Igreja: uma grande liberação em vista do fator limitante do poder eclesiástico desse momento, porém também uma perda agudamente descrita com uma frase inglesa, para a qual falta um equivalente em outras línguas. Fala-se em inglês de “Jogar fora a criança junto com a água do banho”. Assim como ao jogar fora a água do banho pode-se descuidadamente jogar também o bebê (“Throwing out the baby with the bath water”). Algo assim ocorreu com a educação: a idéia de espiritualidade estava tão unida através dos séculos com a idéia de espiritualidade própria da igreja cristã, que não se concebia outra educação espiritual que não fosse a das antigas classes de religião.

Porém esta idéia não é correta. Temos à nossa disposição um vasto legado espiritual procedente de todos os tempos e lugares e, em certa ocasião ouvi o bispo Myers – a quem conheci de perto – dizer o seguinte: “Não podemos nos permitir menos do que nos tornarmos herdeiros do acervo cultural completo da humanidade”, e o escutei com assombro, porque nunca o havia escutado um líder cristão falar algo semelhante e isto equivale a dizer que já não se justifica que por um sectarismo limitante desconheçamos o pensamento de Lao-Tsé, Buda ou Maomé. Devemos aspirar a uma cultura universal na qual há de se destacar a mensagem dos grandes gênios espirituais, os fundadores das religiões, os grandes mensageiros, os grandes inspirados, os grandes profetas de todas as culturas, pois eles foram os máximos professores, e uma educação sensata tem que fazer muito mais do que informar sobre guerras e combates. Mais que a exaltação patriótica, necessitamos compreensão da história da cultura, e especialmente da cultura espiritual universal. E não só isso, mas uma cultura apoiada na experiência, uma cultura em que pudesse haver oficinas onde os jovens pudessem experimentar os exercícios espirituais básicos, as formas de meditação características das distintas culturas. Assim aquele que passasse por um estabelecimento educativo, sairia sentido que algo o tocou, que gostaria de investigar mais algo em especial, que algo pode servir para o seu desenvolvimento ulterior. E assim, ao sair para a vida, poderia buscar mais disso. Como nos lugares onde se elabora vinho e se oferece a oportunidade de provar vinhos de diferentes colheitas, por que não na educação? Isto poderia dar a conhecer os sabores de diferentes experiências religiosas, de distintas práticas espirituais.

Até agora isto não foi feito porque o tabu com respeito à espiritualidade não o permitiu: não se permitiu re-importar a espiritualidade de forma criativa e inovadora. Algo semelhante, em minha opinião, ocorreu no mundo terapêutico.

Atualmente existe na escola um grande tabu ao terapêutico, um tabu que às vezes toma a forma de “não querer complicações”, “que acontece se os alunos começam a falar do que ocorre em casa e logo os pais vêm se queixar”, “seguramente alguns pais não vão gostar que se compartilhe na escola, coisas de sua vida familiar”, e todo tipo de desculpas; porém está pesando o fato de que os professores sentem que não têm a capacidade de fazer frente à caixa de Pandora que se abriria, e o temor de que o caos potencial que poderia resultar de fazer frente a este tipo de verdades interferiria com sua tarefa de instruir.

Eu acredito que o antecedente histórico deste conflito é o interesse por parte dos educadores em aprender algo da psicanálise quando esta fez sua entrada no mundo com a pretensão de haver descoberto as grandes verdades do mundo psíquico. Porém, hoje em dia sabemos que a psicanálise se excedeu muito em suas pretensões, que foi uma formulação muito dogmática e que podemos, retrospectivamente, ver que o mundo, ingenuamente, aceitou esse dogmatismo e logo se desiludiu. Houve experiências radicais, como por exemplo, Summerhill, de A. S. Neill – reichiano entusiasta que levou até níveis pouco conhecidos a permissividade. Porém só com permissividade e idéias freudianas não se chega muito longe. A educação é algo mais complexo e eu acredito que os educadores tiveram bom senso ao estabelecer uma distância com respeito a uma possível invasão por parte da autoridade psicanalítica. Porque a psicanálise é um sistema muito autoritário, como uma igreja que se move sobre uma base de fé. Isto está se tornando plenamente visível só agora quando esta escola, que era um bloco monolítico, desmembrou-se em muitas e o grau de discrepância entre os ramos ou variedades da psicanálise atual é tal que já não se pode dizer que nenhuma das idéias fundamentais características (como o instinto de morte ou o complexo de Édipo) tenha sobrevivido em termos de aceitação generalizada.

Houve outros intentos de trazer a psicoterapia para a escola na década de sessenta e eu fui testemunha disso nos Estados Unidos porque me tocou fazer parte desse movimento humanista. Houve entusiastas que levaram os grupos de encontro rogerianos ou o "sensitivity training", às escolas, porém os resultados tampouco foram convincentes. Abriam-se mais problemas do que se solucionava, e algumas pessoas interessavam-se muito, enquanto outras ficavam feridas ou se mostravam antagônicas.

Eu diria que estes intentos de trazer o psicológico de forma prematura para a educação, produziram uma reação de decepção, desconfiança e rejeição frente a novos intentos. Agora temos melhores meios e recursos, todavia não chegaram aos educadores, nem sequer às universidades, porque estas chegam geralmente tarde e existem mais coisas que são descobertas fora da universidade do que dentro dela. Um dos meus professores dizia, Eduardo
Cruz Coke, um homem muito inspirado que ensinava bioquímica na escola de medicina e também era um político chileno: “Quando se descobrir um remédio contra o câncer, seguramente não vai ser em nenhum das centenas de institutos para investigação sobre o câncer, vai se descobrir fora, nos interstícios do institucional”. Existe muita verdade nisto, e na psicologia já se confirmou, pois o mundo acadêmico é o último que se inteirou dos aportes para o desenvolvimento humano que verdadeiramente valem a pena. Também porque o mundo acadêmico sofre as perversões do mundo patriarcal. Ler Freud ultimamente – para mim, que fui um dia um freudiano fervoroso, já que minha primeira formação foi psicanalítica, antes de passar para a gestalt e outras coisas – me faz sentir uma combinação de admiração e vergonha, porque em sua mania teórica existe uma grande desconexão do óbvio.

O cientificismo patriarcal de nosso meio acadêmico me recorda o famoso chiste do alemão que tinha uma forma muito sistemática e extremamente rápida de aprender idiomas.
Com seu marcado sotaque alemão explicava o método a um amigo: “Em primeiro lugar, um dia
para o verbo; depois, um dia para o substantivo; o terceiro dia para o adjetivo e o quarto para as preposições, conjunções e interjeições. E, por último, vários dias dedicados exclusivamente ao vocabulário: muito, muito vocabulário, para metê-lo todo – e apontando a própria cabeça – na bunda”.

O inconsciente dogmatismo que nos faz rir nesta personificação de um intelectualismo rígido não difere em essência do que contamina hoje a psicologia oficial: fala - como Freud, apesar do seu notável legado – com a certeza própria de quem se sente dono da verdade e esta mesma certeza lhe permite proclamar erros fundamentais.

Creio, portanto, que a educação necessita superar estes dois tabus: o tabu contra o terapêutico e o tabu contra o espiritual. Isto já é um grande obstáculo. Porém ainda que se superem estes tabus, resta um outro obstáculo: basta que se faça presente o ideal de uma educação holística para alguém que trabalhe na burocracia da educação para que nos diga de uma ou outra forma: “Mas, de onde vamos tirar o dinheiro para uma reforma tão fundamental?”

Porque se precisamos ter uma educação orientada ao desenvolvimento humano, deveremos passar do monopólio do intelecto para uma pedagogia muito econômica no tocante à teoria; uma educação muito cuidadosa para evitar a redundância, que se apóie dentro do possível nos ordenadores ou no audiovisual para não desperdiçar os mestres incumbindo-lhes, como hoje se faz, uma função quase mecânica. Os mestres precisariam desenvolver uma função propriamente humana da educação interpessoal e a ajuda ao desenvolvimento das comunidades (funções apenas esboçadas pela atual noção de uma educação dos valores, apesar das boas intenções que esta apresenta). E a proposta de nos encaminharmos para uma educação verdadeiramente mais relevante para a vida teria que privilegiar o autoconhecimento, o que significaria, junto ao propósito de uma educação para uma convivência feliz, uma reeducação importante dos educadores. Pois não devemos nos enganar: o autoconhecimento é algo a que rendemos homenagem só de palavras. Já que nos consideramos herdeiros do oráculo de Delfos, de Sócrates e do resto dos filósofos antigos, todos estamos de acordo que a preocupação exclusiva pelo conhecimento do mundo externo no início da filosofia foi superada quando o homem, capaz de auto-reflexão, começou a interessar-se pelo conhecimento de si mesmo. Porém, como se toma em conta este alto ideal do autoconhecimento na educação que se oferece atualmente? Nem sequer quando se oferece um ramo designado como “psicologia” trata-se em realidade de uma disciplina de autoconhecimento, mas de uma exposição de várias teorias dos condutistas, da psicologia dinâmica, o construtivismo e outras escolas; porém não uma psicologia viva que ajude os alunos a se enfrentarem com sua realidade.

E, não obstante, é possível incorporar o autoconhecimento ao currículo; e à objeção de que complementar a atual formação de profissionais seria muito custoso, posso responder – e isto é o mais importante que posso dizer – que me consta que não é assim. Sei muito bem que se pode fazer de forma econômica, porque comprovei várias vezes que aquilo que falta nos atuais programas de formação de professores pode ser concentrado em um currículo suplementar de autoconhecimento, reeducação interpessoal e cultura espiritual que não requer mais que uns dez dias ao ano, em três módulos sucessivos.

Por que o digo com tanta segurança? Não porque tenha feito o experimento com um grupo homogêneo de educadores, mas por haver feito algo muito semelhante com terapeutas. E desenvolvi uma maneira de ensinar os terapeutas – em formação ou já formados – a servir mais eficientemente, através de uma aprendizagem que não é somente técnica, mas que se apóia principalmente em experiências pessoais relevantes – começando pela compreensão de si mesmos -, que é o fundamento indispensável para compreender aos demais e também uma das bases para desenvolver um interesse benévolo pelos demais.

Muitos educadores têm vindo aos meus cursos e todos saem sentindo que isto é o que a educação necessita: uma injeção espiritual universalista e não-dogmática que inclua práticas concretas que sirvam ao cultivo da mente profunda – começando pelo cultivo da atenção – e um processo de autoconhecimento guiado que leve não só a mudanças de conduta, mas também a esta transformação mais profunda que é a essência da maturidade propriamente humana.

Talvez haja quem se pergunte qual foi o segredo? E eu o explicarei em breve: que se possa conseguir um profundo impacto transformador e humanizador em tão curtas intervenções deve-se em parte à existência de recursos até agora desconhecidos (como a psicologia dos eneatipos) ou não aproveitados (como a meditação ou a terapia gestáltica); em parte a recursos novos (como certo tipo de teatro terapêutico que se apóia na psicologia dos eneatipos ou em nosso laboratório de psicoterapia integrativa); assim com também parcialmente à organização de tais recursos em um todo cujo efeito vai mais além da soma de suas partes. Tem sido, até certo ponto, o resultado da evolução de um processo vivo e a crescente experiência, tanto minha quanto das pessoas que têm colaborado comigo como docentes.

Seria longo descrever o mosaico que integra o programa de autoconhecimento e reeducação interpessoal que já há uns doze anos venho realizando em forma de encontros fechados em três módulos anuais consecutivos. Basta dizer que tem sido descrito como um processo de humanização e abertura para o amor, e que, de outro ponto de vista, bem poderia ser descrito como um “moinho de moer egos” pois se inspira na visão de um caminho espiritual como um despertar, através da consciência do ego, para a consciência do ser e se implementa através de um processo grupal guiado de insight (interpessoal e intrapessoal), confrontação da própria personalidade, cultivo da neutralidade e inibição voluntária das necessidades neuróticas (os pecados ou obstáculos das vias tradicionais).

A parte teórica que complementa a combinação de trabalho meditativo e terapêutico no programa compreende, entre outros aspectos, a aplicação do eneagrama à personalidade – herança de Oscar Ichazo que fui refinando no decorrer dos últimos trinta anos e que se faz fortemente presente na mente dos participantes como mapa de trabalho aplicado a diversas circunstâncias – e se serve de uma série de elementos como exercícios terapêuticos interpessoais, teatro, vida em comunidade e trabalho psicocorporal.

A influência fundamental através da evolução de minha atividade tem sido a de Gurdjieff, que destacava o trabalho em todos os níveis (ou centros): a ação, a emoção e o intelecto – assim como o cultivo da atenção: o estar presente e desperto aqui e agora. Foi natural, portanto, que o utilizasse para o aspecto motriz os “movimentos” criados por ele mesmo, Gurdjieff. Deixei-os, não obstante, pouco depois da chegada à Califórnia do mestre taoísta Ch’u Fang Chu, de Taiwan, cujo alto nível de competência no Tai Chi e práticas associadas quis aproveitar. Depois de sua morte, contei com a colaboração de Gerda Alexander (originadora da Eutonia), de Graciela Figueroa (bailarina e mestra de Rio Aberto) e outros.

O mais relevante, não obstante, é que, assim como os aparatos eletrônicos que com os anos vão se tornando cada vez menores e mais eficientes, este programa começou com a duração de três meses (espaçados em três anos) e se reduziu a três reuniões anuais de dez dias precedidas por um programa introdutório de cinco – tornando-se cada vez mais potente em seus resultados, tanto assim que na Espanha, comentou-se a influência favorável do programa SAT (Seekers After Truth – Buscadores da Verdade) em nível de competência profissional do país.

Na Espanha, como no Brasil, a lei de educação introduziu o conceito de “transversalidades” em referência a uma educação ética orientada para valores universais que se espera que os professores possam repartir através da forma em que põem em prática o currículo tradicional.

Magnífica concepção, na verdade – que reflete a intuição de que a educação se faz através de um contágio pessoal de sabedoria e amor em parte espontâneo. Na prática, não obstante, só quem encarna os valores sabe aproveitar as circunstâncias para inculcá-los; e, para chegar a encarná-los, não basta essa combinação de instrução e sermão que se chama “educação dos valores”.

Para chegar efetivamente a ser mais solidário ou generoso, por exemplo, não basta albergar a convicção de que a solidariedade ou a generosidade são importantes, e por isso a mera exortação não vai muito longe e a inspiração que se pode transmitir através de razões ou belas palavras é limitada. Assim como a vida procede só da vida, a consciência só pode ser despertada pela consciência. Necessita-se, portanto, de um terceiro elemento entre os ramos do currículo clássico e dessa educação nos valores que se pretende levar a cabo através das transversalidades: a transformação do educador – para o que é necessário que atravesse o processo de desidentificação de seus condicionamentos infantis (o “ego”) e libere seu ser essencial.

O mais importante que posso abordar, no momento, é a notícia de que isto pode ser feito de forma relativamente breve e econômica – pois o digo por trás de uma dúzia de anos em que comprovei que a maioria das pessoas que passam por nossos cursos não só saem com maior capacidade de ajudar os outros, mas sentindo-se em um nível de vida diferente.

Aos setenta anos de idade, estou naturalmente em retirada e começo a delegar meu trabalho para meus discípulos. Há anos venho sentindo a satisfação reiterada de poder ajudar efetivamente a muitos e sentir-me banhado em sua gratidão, justo no momento em que sinto que o programa SAT, refinado de ano em ano, chega à condição de um fruto maduro, parece-me como se, desprendendo-se da árvore onde cresceu, quisesse cair em um terreno diferente do de sua origem.

Alegra-me pensar que a profunda experiência de transformação que serviu aos terapeutas para um melhor desempenho de seu ofício possa algum dia servir também aos educadores e que, através disso, sirva igualmente para transpassar ou transformar as limitações de um sistema implicitamente opressor que, perpetuando nossa ignorância fundamental, milita contra a saúde de nossas relações.

Mudar a Educação para Mudar o Mundo: cap. 4



[1]  .A idéia de que a função principal do sistema educativo seja o de reproduzir o sistema social já foi
formulada por Pierre Bourdieu e outros, décadas atrás.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

CRIANÇAS ÍNDIGO, PAIS E FLORAIS DE BACH


Gloria Basaure

Os Florais de Bach são um conjunto de 38 essências energéticas extraídas de flores silvestres, descobertas e desenvolvidas pelo médico ortodoxo, bacteriólogo, imunologista e homeopata britânico Edward Bach. Desde 1936 tem sido utilizada em todo o mundo. Bach tinha uma concepção holística do homem e entendeu que “o desequilíbrio emocional constituía o primeiro momento da enfermidade e que se dirigisse os esforços terapêuticos para equilibrar emocionalmente o paciente se conseguia a cura”.
Foram tipificados 38 estados e alterações da personalidade, cada estado com seu correspondente tipo de flor e classificou em sete aos maiores estados emocionais e psicológicos:

-         Os medos.
-         A insegurança.
-         A indiferença pelas circunstancias atuais.
-         A solidão.
-         A hipersensibilidade a influencias e idéias.
-         O desalento ou a desesperança.
-         A super-proteção ou ansiedade pelo bem estar dos demais.
-         Para preparar estas essências o Dr. Bach utilizou dois métodos: um por ebulição e outro, a que chamou “Método do brilho solar” (Sunshine Method), no qual o astro é fundamental. As flores eram selecionadas em um dia sem nuvens no ponto culminante de sua floração, escolhendo e separando cuidadosamente as flores de uma mesma espécie para depois colocá-las em água de vertente natural expondo-as ao sol por longas horas. Este processo carrega a água com a energia da flor. Esta água conservada em conhaque é a essência floral.

As flores desenvolvidas, que tem qualidades curativas amplamente reconhecidas, incorporam a sua preparação os quatro elementos: a terra, o ar, o fogo e a água. A terra é o lugar onde crescem as flores e sobre a qual se coloca o recipiente potenciador. O ar rodeia as flores durante todo o processo, o fogo do sol está presente já que o solo se pode potenciar todo em um dia claro e sem nuvens, e também está presente a água clara e limpa de uma fonte de primavera. Sua apresentação é um Kit com as 38 essências em frascos de 10 ml. mais um frasco de Rescue Remedy, que contem cinco essências do kit e se usa para primeiros socorros, situações de susto, choque e acidentes. É um equilibrador dos ciclos vitais e tem muitos usos. Também se apresenta em creme para uso tópico.

Para preparar a formula, o terapeuta porá duas gotas de uma ou mais essências escolhidas, em um frasco  com goteiro de vidro de 30 ml. Posteriormente o encherá com água mineral sem gás. Exercem ação física e sua propriedade é a vibração ou a força vital de cada flor. 

Devido a isto, resulta uma excelente medicina complementar para associar tanto a alopatia como a outras medicinas as quais não se substitui. As essências podem ser guardadas indefinidamente, em lugar fresco, fora da luz solar ou calor artificial e não tem data de vencimento. Podem ser tomadas por pessoas de todas as idades, e não tem efeitos colaterais nem contra indicações.

Os remédios florais de Bach estão aprovados pelo Departamento de Saúde do Reino Unido e pela Food e Drug Administração dos EE.UU., entre outros organismos internacionais. A terapia com as Flores de Bach é baseada em um diagnóstico determinado por uma entrevista na qual se realiza uma estrutura emocional do paciente, descartando, se for necessário por meio de exames físicos, qualquer patologia funcional.

 As crianças Índigo têm características especiais, como sabemos. Elas, ao não encontrar seu espaço e um entorno apropriado para desenvolver-se, manifestam atitudes de rebeldia, isolamento, profundas depressões ou frustrações, hiperatividade, déficit de atenção e outros transtornos psicofísicos e são erroneamente rotulados como “crianças problema”, que devem ser atendidos por um especialista ou simplesmente tirados do colégio, já que causam muitos conflitos. Tudo isto implica num estado de desequilíbrio emocional nos pais, aqueles que devem suportar as pressões do colégio, das crianças; o qual desenvolve ao final quadros típicos de stress.

Como terapeuta de Florais de Bach tenho tido também oportunidade de trabalhar com estes grupos de pessoas, pais, filhos, educadores, com excelentes resultados. Muitos destes pais chegam angustiados e com sentimentos de culpa, porque recorreram a maltrato físico e castigos de toda ordem, que obviamente a única coisa que produz é a quebra total da comunicação muito difícil de recuperar sem ajuda externa.

Nestes casos a metodologia é muito simples. Realizo a primeira entrevista na qual se elabora um diagnóstico profissional, como explicado anteriormente, tanto da criança como dos pais (se trabalha individualmente, ainda que a entrevista seja feita em grupo).
O passo seguinte é abordar terapeuticamente o estado mental e anímico do paciente, através da palavra (na entrevista), já que por esta o homem pode descrever o sintoma psíquico e físico que experimenta, até os matizes mais refinados, desde o inicio de sua existência, se existem bloqueios emocionais, se há problemas com a companheira (o), se há afeto nesta família, se esse afeto é exteriorizado e compartilhado, se a criança tem a suficiente liberdade para seu desenvolvimento ou está sendo limitada, se existe amor, se o colégio ou escola a valoriza como pessoa, traumas e toda a informação que se possa obter para alcançar assim a sabedoria necessária e estabelecer num diagnóstico qual há de ser o alívio do mal que  a aflige.

Os florais de Bach tratam a cada paciente como um ser individual e único. E cada preparação de uma fórmula floral não pé aplicável a outra pessoa. A dose é de acordo com o estado do paciente e ao que o terapeuta determine. Normalmente se dá a tomar quatro gotas, quatro vezes ao dia. Estas se tomarão diretamente do frasco ou misturadas em chá, suco, leite, águas aromáticas, etc.

Em quanto tempo uma pessoa poderá ver resultados?

Isto depende de cada paciente, mas os efeitos em geral são muito rápidos. É imprescindível a ingestão das essências por um tempo mínimo prudente de quatro meses, para mudar ou modificar esse padrão de  conduta ou estado emocional, que produz a alteração.
As crianças Índigo, por sua vibração mais alta, aceitam felizes estas terapias porque são naturais e eles amam a natureza. Aos adultos é mais demorado mudar ou modificar certos padrões, mas igualmente se consegue se voluntariamente o desejamos.

A seguir exponho dois casos atendidos. Obviamente, mudamos os nomes por razões de ética profissional.

Uma mãe angustiada e desesperada chegou ao meu consultório. Veio com seu filho Ramiro, de quatro anos e dois meses de idade, inquieto e observador. A mãe angustiada já não sabia o que fazer, chamavam-na toda semana ao jardim de infância pela rebeldia, agressão e “hiperatividade” do menino. A criança acordava chorando a meia noite com pesadelos. Trouxe-me um exame em que se dizia que Ramiro não apresentava problemas neurológicos, pelo que descartamos qualquer exame físico. Por seu trabalho, a mãe não podia passar muito tempo com o filho, que ficava com sua babá e no jardim de infância. Foi realizada uma série de perguntas para chegar a um diagnóstico de toda a situação familiar. Ficou determinado falta de afeto e compreensão, problemas de relacionamento, solidão e repressão. A criança no consultório, era muito observadora e apenas chegou me perguntou pelas essências, se pôs a brincar e não incomodava, mas cada vez que eu dizia a sua mãe que devia dedicar-lhe mais tempo e carinho, falar com ele, dar-lhe seu espaço, o menino se voltava e a olhava, como que dizendo: “não se esqueça, é isso que deves fazer”. Pedi-lhe que seu pai também viesse a consulta.

Para este caso, demos florais ao menino para sua ira, sua irritação e violência. Holly, cuja característica é expressar o amor incondicional através das emoções. Também lhe demos Rock Rose, sua característica é a transcendência e o valor, nos libera. Impatiens, sua característica é a paciência, especialmente com os demais, mas também consigo mesmo. Esta essência foi dada também a mãe. A ela demos Olive, sua característica é a regeneração; combate o esgotamento físico, mental, emocional e espiritual. Durante a terapia, que durou aproximadamente três meses com Ramiro e seis meses com a mãe, mudamos algumas essências pro outras, de acordo com o que iam progredindo. Agora ela assegura que “o clima de minha casa é outro, há muito amor, respeito, a educadora esta contente com o avanço de Ramiro, não voltou a chamar-me a escola, o filho agora se diverte e é um apaixonado pela musica”.

Os pais de Anita, que tem seis anos, chegaram preocupados porque na escola lhe diziam que tinha deficit de atenção, não gostava de participar e sofria problemas respiratórios. Depois de avaliar o caso e pedir informações médicas, falei com ela e com seus pais em separado, me dei conta que eles não a deixavam fazer nada, para que não se machucasse, não se resfriasse, não ficasse doente, e ela optou por não fazer nada. A mãe foi dado Chicory, cuja característica é o amor entre pessoas. Este floral é receitado quando há uma conduta extrema entre o se dar a outros ou cuidar deles, muitas vezes em excesso. Impatiens e Pine, para combater sentimentos de culpa. Ao pai, alem disso, lhe demos Pine e Red Chesnut, para o temor excessivo do que pudesse acontecer a seus seres queridos, e White Chesnut, para determinados pensamentos que dão voltas e voltas pela cabeça gerando stress.

Para Anita, receitei Holl e Clematis,  que favorece a que a pessoa tenha uma presença plenamente fundada no “aqui”, quando se resisti a estar com os “os pés sobre a terra”. Houve uma positiva resposta de Anita ao tratamento com os florais de Bach. O passo seguinte da terapia foi tratar o problema respiratório da criança, produzido pela super-proteção de seus pais, que não a deixavam ser, nem respirar, nem tinha seu espaço para viver. Os pais compreenderam isto e agora cuidam dela, mas não a  super-protegem.

Fonte: Consciência Índigo Futuro Presente
Tradução: sandraferris@globo.com

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ingrid Cañete - Adultos Índigo (Parte 1)

Educando Crianças Índigo

Articulista Valdeniza Sire Savino
Psicóloga Clínica


É com grande satisfação que vem a público, através da editora Butterfly o livro Educando crianças índigo, de autoria do eminente psicólogo e psicopedagogo Dr. Egídio Vecchio.

Pouco material de pesquisa sobre esse tema tem chegado ao nosso conhecimento, além de fontes como a internet e o livro Crianças Índigo (São Paulo: Butterfly Editora), de Lee Carrol e Jan Tober; porém, agora, grande incentivo temos para desenvolver melhor o estudo de assunto tão importante, a partir da obra do Dr. Egídio, que vem trabalhando há alguns anos com índigos no Portal do Índigo (RS).
Iniciei o prefácio do livro afirmando que "A natureza da criança tem mudado muito nas últimas décadas" e em conseqüência, todos os que estão envolvidos com elas, pais, professores e profissionais das mais diversas áreas, necessitam analisar suas próprias posturas para educarem/conviverem melhor com essas crianças cujo comportamento ainda não foi classificado pela psicologia.

Trata-se de uma obra séria e de cunho científico.

O autor aborda esta questão com muita seriedade e responsabilidade, desenvolvendo, a partir da sua prática, teorias e orientações que merecem respeito, crédito e estudo.

Expõe de maneira bem didática sua metodologia:
- inicia pela reflexão quanto aos papéis que competem à escola e à família;
- desenvolve sua teoria sobre a questão fisiológica;
- esclarece quem são as crianças índigo;
- lista 134 características dos índigos (baseada em seu trabalho com eles)
- avaliação do índigo;
- os índigos em relação às inteligências múltiplas;
- biotipologia;
- analisa correntes pedagógicas como a Waldorf e Montessori;
- apresenta-nos a pedagogia de valores baseada na paidosofia;
- sugere técnicas para o desenvolvimento desta pedagogia;
- inclui vários questionários que visam identificar potencialidades/ necessidades dos índigos; condutas parentais positivas/negativas, etc.

A questão fisiológica, uma das fundamentais, elaborada pelo pesquisador, refere-se ao DNA:
"O DNA capacitado do índigo é um dos maiores desafios para a ciência pesquisar."

"A expressão que adotamos DNA capacitado, significa simplesmente que esse DNA apresenta um potencial a ser desenvolvido. O índigo não é, portanto, um ser superior, mas uma criatura que dispõe de um grande potencial que pais e educadores devem ajudar a desenvolver".

"O índigo constitui, pois, um novo tipo de criança que vem ao mundo com um DNA diferente, com predisposições cromossômicas para manifestar comportamento diferente e superior a tudo o que conhecemos como próprio do ser humano".

"O índigo não é um doente inadaptado, psicológica ou socialmente. Essas crianças chegam com uma saúde psíquica jamais vista".
O autor parte do pressuposto de que "Mudar o código genético do qual depende a natureza dos humanos é possível".
Sobre essas crianças ele ainda afirma:

"Suas células são diferentes, o código genético é diferente; e a psique é diferente porque sua biologia também é diferente. Sua condição antropológica é diferente, a energia é diferente, a freqüência vibracional é diferente".

Outra questão tão importante quanto a anterior refere-se à pedagogia de valores que é baseada na paidosofia.

Você provavelmente nunca ouviu falar em paidosofia, ou já?

Pois bem, o emérito doutor explica-nos de maneira muito simples e de fácil compreensão o significado dessa abordagem, sobre a qual mencionaremos só o mais importante:
"A paidosofia ensina que o objeto da educação é a conduta humana em sua inter-relação".

"Na educação paidosófica o índigo aprende a utilizar sua Inteligência emocional para lidar com os próprios valores, conhecimentos e acontecimentos, com também aprende a lidar com os conhecimentos, valores e fatos referentes a condutas dos outros. Isto, para os paidosóficos, é educar".

A partir daí, desenvolve-se a pedagogia de valores que tem como principal valor a justiça, derivando dele outros vinte e sete valores complementares, como por ex: honestidade, verdade, liberdade, amor, poder, etc.

Além de explicar o que é cada valor, o autor sugere formas para se trabalhar com eles, porém existe flexibilidade para que se possa criar outras maneiras que melhor se adeqüem às necessidades.

Estes itens que aqui citei são apenas alguns pontos desse maravilhoso trabalho que não está fechado, segundo o próprio autor deixa evidente. É uma pesquisa genuinamente brasileira, elaborada a partir da prática do Dr. Egídio.

É importante que estejamos atentos para sabermos tratar com bom senso e respeito essa questão, sem valorização excessiva ou então banalização. Em relação a isso, o autor faz questão de desmistificar "fantasias divulgadas sobre a natureza e o comportamento dos índigos, para as quais não existe nenhum fundamento".

Ler, estudar, avaliar as teorias desenvolvidas neste livro, é apenas o começo do conhecimento que ainda será adquirido sobre a natureza destes seres. Estamos todos de certa maneira envolvidos; então vamos aproveitar esta oportunidade e aprendermos a partir deles, contribuindo com a nossa parte de amor, assim como o próprio autor disse tê-lo escrito.
Valdeniza Sire Savino é psicóloga clínica licenciada em pedagogia, diretora da área de assistência psicológica do Grupo Espírita Geam (SP).

Fonte: http://www.espacoespirita.net/modules/smartsection/item.php?itemid=240





Mensagem dos golfinhos para este tiempo

Um Cão Chamado Faith (Fé)

Duas almas: uma do cão, outra da dona - maravilhosas!


Apresento-lhes um cachorro chamado FAITH (Fé)!

Este cachorrinho nasceu na Véspera de Natal no ano de 2002.
Nasceu apenas com as duas patas traseiras.
Como está claro, não conseguia andar, e até a sua própria mãe o rejeitou.

 
Seu primeiro dono também pensou que ele jamais conseguiria andar, e considerou "pô-lo a dormir"....

Nessa altura, a sua atual dona, Jude Stringfellow, conheceu-o e pediu para ficar com ele.
Determinada, foi ela quem ensinou e treinou este pequeno cão a andar por si só.

Chamou-lhe 'Faith', ou Fé.
 





 De princípio, ela colocou-o numa prancha de skate, para que sentisse o movimento...usou depois manteiga de amendoim para atrai-lo, e como recompensa para que ele se levantasse e saltasse, apenas nas duas pernas. Ao fim de apenas 6 meses, o "Fé" começou a aprender a equilibrar-se nas pernas traseiras, e a saltar para a frente, movendo-se assim.

Depois de mais treinos na neve, ele pode "caminhar" como um ser humano.



Faith adora movimentar-se por todo o lado agora.
Onde quer que ele vá, atrai sobre si todas as atenções.
Tornou-se famoso na cena Internacional, e já apareceu em programas de Televisão e em Jornais.
Está para ser publicado um livro sobre ele entitulado "Com um pouco de Fé".

Considerou-se ainda incluí-lo num dos filmes de Harry Potter.
 





Sua dona, Jude Stringfellew , deixou o trabalho como Professora, e planeja levá-lo numa volta ao mundo, pora mostrar que mesmo sem um corpo perfeito, se pode ter uma alma perfeita.







Na Vida, existem sempre coisas que não desejamos, porém, basta olhar a vida noutra perspectiva para que nos sintamos melhor. Espero que esta mensagem traga para as pessoas, novas maneiras de pensar e que possam sentir e agradecer cada novo dia como uma benção.

O "Faith" é a demonstração contínua do valor e maravilha que é a Vida.

Um pequeno pedido apenas: que esta história não deixe de
circular.

Fonte: Recebido por email de Wanda Lucia de Paiva  

sábado, 15 de outubro de 2011

ENTREVISTA: Eckhart Tolle



Jenny Simon - As pessoas ao seu redor devem pensar que você é um pouco lunático. Em sua experiência interior, você nunca questionou o que aconteceu?


Eckhart - Não. Era tão claro e não havia nenhuma pergunta sobre uma realidade que era tão óbvia. Uma vez eu disse que mesmo se tivesse encontrado o Buda e ele me apontasse “não, não é isso”, eu diria – “que interessante, mesmo Buda pode estar errado”. Isto não é algo do ego, é só para deixar claro como essa realidade é tão óbvia que nenhuma questão mental, nenhuma pergunta adiantaria. Por exemplo, se alguém me desse uma maçã e dissesse “não, não é uma maçã”, eu diria “não, eu sei que é”.

Jenny Simon - Você aponta que seu estado de consciência implicou numa redução de 80% na atividade de sua mente pensante. Isso criou alguma espécie de carência ou algo parecido?

Eckhart- Bem, não tanto para mim, mas para as pessoas ao meu redor (risos). Isso é certo, pois as pessoas que me conheciam, especialmente a família, pais, alguns amigos, pensaram que algo errado tinha acontecido comigo – isto porque por algum tempo, após a mudança, eu prossegui com as estruturas externas de minha vida. Apenas prosseguia como se nada houvesse acontecido, porque ainda havia um “momentum” e continuei seguindo-o durante três ou quatro anos. Então percebi que essas estruturas externas estavam totalmente fora do alinhamento com meu ser – no mundo acadêmico totalmente dominado pela mente, o ego dominado completamente. Então aconteceu um momento em que deixei tudo para trás...

Foi aí que as pessoas pensaram que eu estava realmente louco – abandonado uma promissora carreira acadêmica e indo sentar-me em um banco do parque, sem fazer mais nada. Era bem estranho, porque eu não tinha nenhuma orientação espiritual, ninguém para dizer-me “você não precisa viver no banco do parque, você pode continuar funcionando no mundo”. Eu defini isso por mim mesmo. E isso levou bastante tempo, para que então eu pudesse de novo continuar funcionando no mundo. Por uns tempos, o estado da presença, do ser, era tão satisfatório, belo e completo que perdi todo o interesse no futuro... quanto mais ter ambição ou viver para adquirir isto ou aquilo. Se o momento presente era tão preenchedor, por que precisaria do futuro? Mas naturalmente, no nível prático o futuro ainda opera, e saber disso às vezes ajuda. Você precisa tomar um avião daqui a alguns dias, ou aprender algo que leva certo tempo, aprender uma língua, ou o que quer que seja. Mas, eu não mais necessitava do futuro, internamente, e passaram-se anos antes que eu começasse a ser capaz de lidar com o mundo novamente, sem necessitar dele – era quase como uma forma de brincadeira. Iniciar coisas, fazer coisas e, miraculosamente, também um bom tanto de coisas vinham a mim... Mesmo enquanto estava sentado no banco do parque, com quase nada em meu bolso, geralmente no último momento alguma ocorria ou alguém vinha e novamente eu tinha algo com que viver, por enquanto. Milagrosamente isso sempre acontecia, e gradualmente, então, eu comecei a funcionar no mundo de novo.

Devo dizer que duas ou três vezes tentei voltar às estruturas do mundo, sentia que meu tempo no banco do parque estava terminando, então me dizia: “Ok, é melhor eu fazer alguma coisa”. Uma vez me candidatei a um emprego, e isso é bem engraçado, um emprego num banco mercantil na cidade de Londres (riso). Durante a entrevista, ouviram-me com interesse, mas não me deram o lugar. Depois candidatei-me a um emprego acadêmico e houve outra entrevista, só que devo ter dito algo, embora tenha procurado evitar a linguagem espiritual, mas... havia seis ou sete professores ao meu redor e ao final da entrevista um deles me perguntou: o que você realmente quer fazer? (riso). E na realidade não havia nada que eu realmente quisesse fazer, então essa foi a minha última entrevista – eu percebi que na realidade não queria voltar às estruturas do mundo.
Foi então que gradualmente as pessoas vieram e passaram a me fazer perguntas, começando com situações de ensino informal. Algo um pouco mais estruturado surgiu e então eu me tornei um professor espiritual aos olhos do mundo (risada), foi isso que aconteceu. Não ganharia um emprego se colocasse no meu currículo “não mais preciso pensar”, mas realmente é o que acontece. O próprio poder de ensinar vem desse estado, da consciência. Não sou eu, e sempre que começo a falar tenho essa sensação de que não tenho nada, absolutamente nada, a dizer. Assim, não é realmente esta pessoa que está fazendo qualquer coisa. Todo o ensinamento que tem causado um certo impacto no mundo vem desse estado de não-pensamento, não tem nada a ver com esta pessoa aqui... (riso)

Jenny Simon - Eu ouvi você várias vezes citar o mestre indiano Ramana Maharshi. Como se mede o progresso espiritual? É pela ausência do pensamento? Você acredita nisso realmente?

Eckhart - Sim, sim. No grau da ausência de pensamento, sim, está certo. É simples, muito simples.
A mente pode dizer: “ok” – mas isto significa que não fiz nenhum progresso, porque estou pensando o tempo todo. Talvez você não saiba que já há ausência de pensamento em si, talvez algum breve momento, mas não importa... Você respondeu à beleza? Deve haver ausência de pensamento em você, porque de outra forma não veria a beleza. Esse momento é ausência de pensamento. Pode haver muitos momentos de ausência de pensamento – de repente você percebe: “Gente, há ocasiões em que o pensamento está ausente”. Ou você pode exclamar: “Oh! Eu não estou pensando!” (riso). E você já está pensando de novo. Algumas vezes você sabe que não está pensando e ainda não está pensando (riso). Mas é bom não tentar provocar esse estado, porque poderia ser um esforço muito grande. A forma mais rápida de tornar-se livre de pensamento é ainda render-se ao momento, aceitar este momento como ele é, porque se você observa o processo de pensar compulsivo, descobre que sempre está associado à não-aceitação. A não-aceitação é a característica essencial do estado egóico criado na mente – a não-aceitação do agora.
E toda a compulsão realmente é uma fuga, é o negar da beleza e da vida do agora. Quando você vê a verdade disso, pode aceitar este momento como ele é. É um estado de grande força – não de fraqueza, como a mente pode dizer-lhe, exceto que há um efeito colateral dessa aceitação, a mente deixada de fora, porque quando você não está lutando com o que é, a compulsão para pensar cessa.
Isso é algo que requer continuidade da prática espiritual. Muitas vezes você não aceita o que é e então percebe que está novamente negando o agora. E essa percepção está certa, quando você vê a não-aceitação, já está livre dela. Quando você não vê a não-aceitação, então fica novamente preso em todo o ruído mental, porque não está aceitando o que é.
Assim, a mais poderosa prática espiritual é aceitar este momento como ele é. Aceitação descomprometida deste momento como ele é. É por isso que grandes mestres às vezes parecem tão aterradores, embora sejam gentis internamente, na realidade. Olhando velhos retratos ou fotos de grandes mestres, seus olhos são tão aterradores. Sim, descompromissado agora, sim, não movendo, estando aberto. E este estado é tanto gentil quanto aterrador, ambos ao mesmo tempo. Então essa é a prática espiritual mais poderosa e é realmente a única prática espiritual que não lhe dá tempo (riso). Há tantas práticas espirituais que lhe concedem tempo para tornar-se um bom adepto, praticar mais e mais, gradualmente. Mas aceitar este momento como ele é, você só pode fazê-lo agora.

Jenny Simon - Freqüentemente temos ouvido você falar sobre a nova consciência que está emergindo e como esse estado está disponível cada vez para um número maior de pessoas. Mas, honestamente, não estou convencida de que isso não seja uma projeção de sua experiência. Não tenho dúvida de que você floresceu como ser humano, mas não vejo evidência, ao meu redor, de que muitas pessoas passarão por isso. Pergunto: você tem alguma premonição de que isso vai acontecer em 5, 10, mil anos? Como isso realmente transformará o mundo?

Eckhart - Certo. Admito que pareço estar no epicentro da onda de transformação porque isso é o que eu faço e as pessoas chegam para estar em contato comigo. Todos que encontro estão sofrendo transformações e às vezes, quando ligo a televisão, sou repentinamente lembrado – “Oh! Não está acontecendo com todo mundo”. Por causa de minha posição peculiar, admito que certas vezes parece, para mim, que o mundo inteiro está se transformando. Ao mesmo tempo, recebo mesmo imensa massa de correspondência de pessoas que estão relatando mudanças na consciência e enorme diminuição do sofrimento, etc. Isso eu vejo em toda parte; porém não, não tenho uma escala do tempo, tudo que eu sei é que há uma aceleração de algo. Também sinto que o planeta provavelmente não sobreviverá outros cem anos se a velha consciência predominar por muito tempo no planeta, com tudo que isso significa.
É impossível que a natureza do planeta possa suportar isso. Assim, pela primeira vez na história humana essa transformação tornou-se uma necessidade, até mesmo para a sobrevivência da espécie. E talvez seja somente assim, em qualquer evolução e transformação, talvez seja apenas quando a espécie alcança um ponto crítico em que a sobrevivência fica ameaçada se ela continuar sem transformar-se – aí então essa transformação acontece em nível coletivo. Eu acredito – e posso dizer que é quase um fato – que se os velhos padrões de fazer as coisas continuarem por mais cem anos, e naturalmente esses padrões ficarão ainda mais ampliados, os meios de destruição serão maiores e o planeta não será mais capaz de sustentar a vida humana por mais cem anos.
Assim, pela primeira vez na história humana chegamos a um ponto em que a transformação da consciência não é mais um luxo. Talvez tenha havido no tempo de Buda os primeiros florescimentos, também no tempo de Jesus, já apontando para algo novo, uma maneira de ver o que estava acontecendo. Os primeiros sinais disso e depois algumas flores aqui e ali, mas nunca tinha sido uma necessidade para a sobrevivência do planeta e o fim da loucura humana. Mas depois veio a tecnologia, veio a ciência – sim, também manifestações de grande inteligência –, e ainda assim ampliaram a loucura em larga escala. Antes as pessoas tinham sorte se conseguiam matar uns poucos, agora podem matar centenas, milhões com um só aparelho (riso). Não há mudanças, simplesmente amplia-se o efeito da inconsciência. E é uma boa coisa, porque vemos mais claramente que nunca.
É chocante para as pessoas que a primeira guerra criou armas poderosas de destruição, provindas da tecnologia, e aí pensamos: o que foi que fizemos? Milhões e milhões de jovens morrendo nas trincheiras inutilmente – Oh, meu Deus – foi uma abertura da visão da loucura, lá no começo do século XX. Mas agora sabemos também o que aconteceu no restante do século.
Está em seu rosto agora, é tão óbvio. Eu sei que o trabalho que faço, qualquer que seja, é uma manifestação da nova consciência e há muitas pessoas atravessando isso. Para salvar o planeta? Eu não sei, talvez não.

Jenny Simon - Então, pode-se dizer que você é uma espécie de necessidade da evolução, de certa forma?

Eckhart - Sim, na realidade é isto que está acontecendo. É quase como se a espécie estivesse se tornando algo novo, uma nova espécie está evoluindo da velha. E, novamente, não é algo do ego, dizendo eu sou da nova espécie, e você não (riso). Mas sim, é bem como se uma nova espécie estivesse chegando, e está chegando porque a velha espécie não é mais capaz de sobreviver, a menos que mude (riso).

Jenny Simon - E você pode descrever a nova espécie, quais seriam suas características?

Eckhart - A nova espécie não necessita de inimigos, drama ou conflito para dar-lhe um sentido de identidade e assim, torna-se livre, em grande escala, do conflito e do sofrimento causado pelo homem, que é uma característica da velha consciência. Buda teve uma bela perspectiva disso, quando disse, para descrever o estado de consciência da liberação, que ela é livre do sofrimento – você não sofre mais. Pode ainda haver dor, porque enquanto houver corpo físico haverá dor, você pode ter uma dor de dente. Mas o sofrimento psicológico é causado pela entidade do eu na cabeça. Você não mais causará sofrimento para si próprio através das estruturas do pensamento. E quando você não mais causa sofrimento para si, não mais causa sofrimento para outros. A interação entre seres humanos não será mais coberta pelo medo, como é agora – o medo e o desejo, dois movimentos de estado inconsciente.
A interação humana será caracterizada pelo amor e compaixão. E o amor não será do tipo “preciso de você, não ouse abandonar-me, porque eu não sei o que vou fazer se você me deixar”, o amor da chamada velha consciência. Amor é simplesmente reconhecer o outro como sendo você próprio, o reconhecimento da unidade é amor. E todas as interações, quando se reconhece o outro como você próprio, não mais acontecem através da formação de uma imagem, uma identidade da forma, de quem aquela pessoa é. E porque você vai além da identificação da forma em si própria, não mais constrói pequenas armadilhas e pequenos conceitos de outras pessoas... então o amor reina.
Não se pode conceber o que seria o mundo se uma grande parte da humanidade vivesse nesse novo estado de consciência. Eu não faço, geralmente, considerações sobre esse fato. Minha suposição sobre isso é de que não seria possível reconhecer a estrutura da natureza humana. Seria muito diferente. Potencialmente este planeta poderia ser o paraíso – é um paraíso, mas as pessoas se esforçam muito para torná-lo um inferno, contudo ainda é um belo paraíso. Não estou dizendo que no nível da forma não haverá limitação, sim, as formas ainda vêm e vão. Mas ainda assim a harmonia é possível, viver em harmonia com a natureza. Viver em um estado de amor, amando a essência de cada forma, pois a vida se manifesta através de milhões de formas de vida. Amando uma vida da qual milhões de formas são manifestações temporárias, amando-as como a si próprio, sendo elas – esse é o novo estado de consciência.